domingo, 21 de junho de 2009

Sob outro ângulo

Novos olhares é o resultado de uma série de entrevistas veiculadas no programa Fantástico, da rede Globo, em 2007. O livro, escrito por Zeca Camargo, conta os bastidores das entrevistas, bem como as conversas mantidas com cada um dos entrevistados. É uma viagem pelo mundo digital, pela memória, imaginação, arquitetura, educação, direitos civis, minorias, religião, felicidade, sexo, meio ambiente, física, consumo e multiculturalismo.

Em vida digital, Zeca Camargo conversa com o semiologista Steven Berlin Johnson sobre os efeitos do videogame no comportamento das pessoas. A entrevista buscou mostrar que os games não são aquele vilão que todos pensam. Na conversa Johnson explicou diversos fatores que vem em contrapartida ao que se pensa sobre os jogos. Um dos dados levantados é que as crianças se tornam mais inteligentes. Ao mesmo tempo, as pesquisas só buscam avaliar a violência dos jogos, se concentrando no comportamento violento que elas podem gerar. Johnson lembra que quando jogamos, pensamos nas regras, no espaço do sistema e em todas estas variáveis se interligando. E isto, segundo ele, é uma variável complicada de pensamento. Uma dieta balanceada seria a solução: videogame, livros, lazer.

A memória e a imaginação sempre foram alvo de diversos estudos. A busca pela felicidade então, é repleta de teoremas. Mas existe uma fórmula mágica para a felicidade? Nesta entrevista, Zeca Camargo conversa com o professor de psicologia na Harvard University, Daniel Gilbert. O professor explica sobre as diversas vezes em que “tropeçamos na felicidade”. Segundo ele, cometemos um erro em busca da felicidade por dois motivos principais: a imaginação e termos ideias muito erradas sobre a felicidade. Para ele, a imaginação é como um amigo não muito confiável, que comete erros, como a nossa memória: lembramos de algo e nos enganamos. Um destes enganos é acreditarmos que os eventos futuros terão um impacto mais forte do que na realidade eles terão. Mas nem tudo está perdido. Gilbert conta ao longo da entrevista caminhos que podemos buscar para contornar estas questões.

A arquitetura faz parte da historia da humanidade. Palácios e monumentos históricos transcendem os tempos. As pirâmides do Egito, a esfinge de Gizé, o museu do Louvre. Todas obras arquitetônicas grandiosas. Mas que tal sair deste caminho ostentoso e nos voltarmos à realidade cotidiana da favela carioca? Em arquitetura, Zeca Camargo desbrava este lado esquecido pela maioria. Conversa com Alain de Botton. Em pauta, a arquitetura vista pelo lado da satisfação: o aconchego das cidades, as ruas e as casas onde moramos. Dentre muitos conceitos levantados, Botton fala que toda arquitetura precisa ser local, mas não necessariamente exótica. Precisam ser simples.

Em educação dos filhos, a busca é traçar um parâmetro sobre o que é a personalidade. Qual a influencia dos pais na formação? Qual a influencia dos genes? Até onde o relacionamento com os amigos, professores e familiares influencia no caráter e nos gostos? E se essa observação fosse feita em gêmeos? Como seria abordada? Quais as características predominantes e diferentes? Tudo isto, Zeca Camargo busca responder neste capítulo. Em conversa com a psiquiatra Norma Escosteguy, são mostradas as características básicas, bem como levantadas as discussões sobre o que a criança traz do nascimento e o que ela aprende com o meio em que vive. E a base deste parâmetro são os gêmeos. Como eles se desenvolvem neste ambiente, com características diferentes.

O Brasil é considerado um dos países mais tolerantes do mundo no quesito preconceito. Muito disto se deve ao fato de termos uma população formada por uma mistura de etnias. Este nicho cultural é que talvez tenha colocado o país neste patamar sem muitos preconceitos. Contudo, não é correto afirmar que eles não existem. Em minorias e direitos civis, Zeca Camargo busca mostrar outra realidade brasileira: o preconceito leve. Neste ponto, o professor Kenji Yoshino conta um pouco sobre as tribos: o não ser algo demais. Neste mundo contemporâneo, as pessoas usam um disfarce para mostrar quem realmente são. E é por este caminho que a conversa segue, com discriminações sexuais, de raça e status social.

A espiritualidade é algo que mexe com a crença das pessoas. Mais do que entender religião, é preciso saber definir uma religião. Num país como o Brasil, formado pela sua maioria de católicos, o budismo ainda parece ser algo distante. Em religião, Zeca Camargo busca entender mais sobre esta arte milenar. Pankaj Mishra explica que o budismo não é uma religião, com regras que você tem que seguir e aceitar, mas sim, uma filosofia de vida, baseada em ideias. No diálogo, ele conta que você pode ter pensamentos budistas sem abandonar sua religião e explica sobre em detalhes sobre esta arte milenar.

Novos olhares é um livro imperdível. É uma oportunidade única para conferir as opiniões de diversos especialistas em áreas importantes para o nosso sistema de vida. Mostra como uma sociedade baseada no igual é tão diferente. E neste ponto, novos olhares encara temas conhecidos e batidos sob um ângulo pouco discutido.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Carlos Minc vem ao RS discutir Código Florestal

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior está acompanhando a polêmica sobre o Código Florestal, especialmente os pontos que dizem respeito às reservas legais e às áreas de preservação permanente (APPs), que atingem diretamente a produção rural do Rio Grande do Sul. Por essa razão, Marchezan Júnior propõe que o debate tenha a contribuição e o esclarecimento do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.

O deputado esteve no Ministério do Meio Ambiente para tratar da vinda do Ministro ao Estado para participar de audiência pública sobre o Código Florestal. Para Marchezan, é de fundamental importância que o ministro conheça as peculiaridades e as culturas das diferentes regiões do Rio Grande do Sul, bem como a posição das entidades representativas do setor produtivo sobre as mudanças na legislação ambiental.

A participação do ministro ainda vai contribuir para esclarecer as diversas propostas de reforma do Código Florestal e os efeitos que a implantação das reservas legais e as APPs podem ter para o Rio Grande do Sul, um Estado voltado para a produção primária.
Segundo Marchezan Júnior, a audiência pública deve dar subsídios para que os gaúchos, especialmente os produtores rurais e as entidades representativas do setor, aproveitem a presença do Ministro, para compreender as alterações de propostas de mudanças ao código, como a utilização das APP´s como área de Reserva Legal e as áreas chamadas consolidadas, etc.

A audiência pública acontece na próxima quinta-feira, dia 25 de junho, às 14 horas, no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Para longe com os dólares


Que brasileiro é apaixonado por futebol todo mundo sabe. Agora, quem imagina o que se passa na cabeça de um torcedor durante o Campeonato Brasileiro? Antigamente, o certame passava despercebido até a reta final. A primeira fase não atraía tanta atenção quanto os jogos em mata-mata, pois era ali que o campeonato se decidia. Grande contra pequeno. Craques contra pernas-de-pau. Tudo era decidido em 180 minutos. O resto não importava.

Em 2003 essa simbiose começou a mudar. Era o início da era dos pontos corridos. Uns profetizaram que seria o fim do Campeonato Brasileiro. Outros, que o torcedor não iria mais aos estádios, pois teríamos um nacional sem graça caso alguma equipe disparasse. As apostas eram de que seria um campeonato desigual e sem prestígio. Mas para a alegria dos torcedores e desgraça dos corneteiros, não foi isto que aconteceu. O Brasileiro a cada ano aumenta seu prestígio. Os estádios lotam a cada rodada. Todo jogo é disputado como se fosse uma final. Os pontos perdidos na primeira rodada podem fazer falta no final. Para se ter uma idéia deste sucesso, a melhor média de público em 2002, foi do Paysandu, com 23.242 torcedores. Em 2008, o Flamengo terminou o campeonato com média de 40.694, um recorde se comparar com os números anteriores.

Então, se o Campeonato Brasileiro por pontos corridos é sucesso, o que é que pode atormentar os pensamentos dos dirigentes e torcedores? Neste novo formato, com o Brasileirão sendo disputado durante nove meses, as vendas dos jogadores durante a competição são o martírio dos clubes. A cada janela de agosto, uma onda de empresários invade o Brasil com milhares de dólares a fim de levar nossos talentos para o exterior. Cada craque que deixa o país é como um tiro no peito do torcedor, que vê as chances de seu time ganhar o campeonato ir pelo ralo com o desmanche da equipe.

Torcedor que é torcedor tem aversão à janela de agosto. Sempre que este mês se aproxima no calendário futebolístico, o apaixonado por futebol sente que seu time, até então na ponta da tabela, pode despencar. Qualidade virou símbolo de desmanche. Das equipes com chances reais de disputar o título do Brasileiro deste ano, todas podem ser desmanteladas em agosto. O Internacional pode perder de três a quatro jogadores (Nilmar, D’Alessandro, Guiñazú e Taison), o Cruzeiro três (Kleber, Ramirez e Wellington Paulista). O Palmeiras também três (Diego Souza, Cleiton Xavier e Keirrison). Com as possíveis vendas destes jogadores não tem como o torcedor não ficar preocupado. Um campeonato que estava fácil de ser conquistado, pode se tornar muito mais árduo depois de agosto. Então, pra longe com os dólares e petrodólares, pois brasileiro gosta de espetáculo e quer ver futebol de qualidade nos gramados do país.

sábado, 6 de junho de 2009

O tiro de Babel

Um tiro. Assim podemos começar a resumir Babel. A adaptação cinematográfica do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu consegue, com maestria, unir quatro histórias numa série de eventos desencadeados por um único tiro. Tudo começa com a compra de um rifle por Abdullah no Marrocos. A arma era para ser usada para caçar cabras por seus filhos. Ao invés disso, Yussef e Ahmed resolvem testar o alcance do rifle. Do alto da montanha vêem um ônibus. E o usam como mira. O tiro acerta em cheio o pescoço da americana Susan Jones, que está com seu marido Richard em uma viagem de férias.

Do outro lado do mundo, na América, Amelia, a babá mexicana dos filhos de Richard, precisa ir ao casamento de seu filho. Mas o acidente surge como um empecilho. Ele liga do Marrocos e conta que sua esposa havia levado um tiro. Ela teria de cuidar das crianças até que ele voltasse. Amelia não deveria ir ao casamento de seu filho no México. Mas Amelia precisava ir. Para isso, levou as duas crianças para o casório.

Enquanto isso, no Japão, Yasujiro é um poderoso empresário que perdeu a esposa em um suicídio ocorrido recentemente. Tem uma filha surda-muda, Cheiko, que vive a ânsia de uma jovem adolescente que se sente rejeitada por nunca ter transado. É dele a arma usada pelos garotos marroquinos.

É em meio a estas quatro histórias distintas que Iñárritu cria uma trama em função de um tiro aparentemente aleatório, mas que muda a vida destas quatro famílias. Em Babel, há de tudo, desde a paranóia antiterrorista até a desesperada luta dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, que buscam uma vida melhor.

Analisando a filmagem, a decupagem de direção é ótima. Iñárritu consegue dar harmonia ao filme. As cenas, que ocorrem em tempos diferentes, são organizadas de tal forma e precisão que, o espectador não se perde na sua atemporalidade. Ao contrário, é possível lembrar-se da cena que ocorreu no início do filme para Amelia. Mas que, para Richard, acontece no final. Outro ponto interessante é a utilização dos planos. Em diversas cenas, como na do tiro ou na fuga da fronteira mexicana, os planos abertos, com trocas constantes para os planos fechados dão um tom de dramaticidade.

Babel é um filme com unidade. Apesar de serem quatro histórias distintas, com cultura e língua diferentes, é possível notar que as coisas combinam. A poeira do México. A pobreza do Marrocos. A vida rica na América. Tudo isso é um contraste difícil de quantificar numa filmagem. O fazer de forma orquestrada então, nem se fala. E foi isso que Iñárritu conseguiu: unidade. Babel é um filme que se encaixa. Desde a primeira cena, até o desfecho feliz, tudo ocorre de forma harmoniosa cinematograficamente.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pregão eletrônico passa a ser obrigatório no Estado

A Assembleia Legislativa aprovou, na terça-feira, dia 2, projeto de lei do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB) que torna obrigatória a utilização do pregão eletrônico nos processos de compra de bens e serviços da administração pública estadual. O pregão eletrônico nada mais é do que um leilão inverso, onde quem vence a concorrência é aquele que oferece o menor preço pela prestação de um serviço ou venda de um produto.

O governo federal foi o precursor do uso do pregão eletrônico, que hoje é obrigatório em todas as esferas. Estima-se que, somente em 2008, a administração federal tenha economizado em torno de R$ 3,6 bilhões. No Rio Grande do Sul, a modalidade já era utilizada em alguns setores, proporcionando uma redução de despesas para o Estado de 45,3% no ano passado.

Segundo Marchezan Júnior, além de economia para os cofres públicos, o pregão eletrônico traz agilidade e transparência aos processos de aquisição de bens e serviços comuns na administração pública, uma vez que os nomes dos produtos e dos fornecedores estão disponíveis na internet e as operações podem ser conferidas por qualquer cidadão.

"É inegável que o pregão eletrônico é um avanço no serviço público, pois racionaliza os procedimentos de compras e de contratações, viabiliza o controle externo, inibe atos de corrupção, reduz custos operacionais e contribui para uma cultura de gestão com qualidade, racionalidade e controle", afirma.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um encontro de gigantes

Uma entrevista histórica. Assim podemos começar a definir Frost/Nixon. A adaptação retrata o duelo entre o apresentador de TV britânico David Frost e um dos mais importantes ex-presidentes da história dos EUA, Richard Nixon. O interessante é que Nixon receberia US$ 600 mil para realizar esta que seria a primeira entrevista após a renúncia e o caso Watergate. Detalhe: sem regras. Frost poderia perguntar o que quisesse. A única coisa que ficou pré-estabelecida foram as temáticas e o respectivo espaço que teriam.

Frost/Nixon teve duas vertentes. De um lado, o orador Richard Nixon, acostumado com a manipulação das entrevistas. De outro Frost, pouco habituado aos malabarismos políticos, mas um exímio apresentador. Com certeza, um encontro de gigantes da mídia e da política. Nos primeiros dias, Nixon não deu chance para Frost. Desvirtuou todas as perguntas com uma longa resposta. Frost percebia isto. Aos poucos o apresentador foi tentando ganhar terreno, mas Nixon habilmente o contrapunha. Foi somente aos 47 do segundo tempo que Frost conseguiu vencer Nixon e o fez confessar diante das câmeras toda a podridão do polêmico caso Watergate.

De saldo, fica o exemplo para todo o jornalista sobre a forma obstinada com que Frost, vendo a queda eminente, se enfiou de cabeça no assunto. O curioso é que foi somente após um telefonema de Nixon, altas horas da noite, que ele percebeu quem era seu adversário. Era David contra Golias. Frost tinha de estar preparado. E foi o que ele fez. Analisou cada centímetro de matéria, minuto de áudio. Revirou e encontrou detalhes que estavam à disposição de todos, mas que ninguém havia percebido. Foi neste momento que Frost virou o jogo que culminou na imagem que o mundo inteiro viu: a face funesta de Nixon, rememorando seus fantasmas interiores.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Audiência pública debate teto salarial do serviço público

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) aprovou requerimento junto à Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, solicitando a realização de audiência pública para debater a aplicação do teto salarial do serviço público, previsto na Constituição Federal e Estadual. A reunião acontece nesta quinta-feira, dia 28, às 9h30, no Plenarinho da Assembleia Legislativa. A audiência terá a participação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de Contas do Estado e da Procuradoria Geral do Estado.

A aplicação do teto remuneratório no serviço público é uma antiga luta de Marchezan. Desde 2007 o deputado vem buscando implantar o limite no Estado. Neste mesmo ano, enviou recomendação à Mesa da Assembleia para que tomasse providências no sentido de cortar as remunerações acima do limite constitucional dos servidores da Assembleia Legislativa e recomendasse também o corte no Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

Em abril de 2009 Marchezan, com o respaldo da bancada tucana, Marchezan enviou novo requerimento à Mesa da AL recomendando o corte dos salários acima do teto no Poder Legislativo. No final de abril, a Mesa da ALERGS decidiu adotar o corte dos vencimentos acima de R$ 22.111,25.

"É preciso colocar um freio nos altos salários, pois os recursos destinados a essa fatia privilegiada de funcionários públicos tem feito falta para investirmos na Saúde, Educação, Segurança e na infra-estrutura, por exemplo", afirma Marchezan.

No Judiciário, Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado, há 123 servidores que recebem acima do teto nacional da magistratura, de R$ 24,5 mil. No Executivo, o corte atingiu os salários de 151 servidores que recebiam acima do limite, o que vai gerar uma economia de R$ R$ 4,9 milhões em 2009. Já na Assembleia Legislativa, a fixação do teto atingiu 41 servidores e vai gerar uma economia de cerca de R$ 2 milhões.

O que: Audiência pública para debater teto salarial do serviço público
Quando: Quinta-feira, dia 28, às 9h30
Onde: Plenarinho da Assembleia Legislativa (3º andar)