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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Servidores gaúchos poderão ter salários divulgados na internet


O Congresso Nacional aprovou, na última quarta-feira (15), a divulgação na internet dos salários dos servidores públicos dos três poderes e do Ministério Público, incluindo estatais, agências reguladoras e conselhos federais. No entanto, a transparência no serviço público também pode vir a ser implantada no Rio Grande do Sul.

Já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 184/2008, de autoria do deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que determina a publicação na internet dos salários dos servidores públicos gaúchos, inclusive dos cargos eletivos - governador, vice e deputados.

“Os cargos e empregos existentes no serviço público, bem como as despesas correspondentes, não podem continuar sendo motivo de mistério. A transparência exige que a sociedade tenha uma noção exata de quantos são e o quanto custam”, afirmou Marchezan Júnior.

O Projeto de Lei 184 prevê, ainda, que seja disponibilizado o número total de cargos ocupados e vagos, tanto de provimento efetivo como em comissão (CCs) nos três Poderes, abrangendo a administração direta, indireta e órgãos vinculados com as respectivas remunerações individualizadas. As informações devem ser atualizadas a cada bimestre.

Essa determinação também atingirá os funcionários inativos e pensionistas pagos pelo Tesouro do Estado. A aprovação da nova lei estará na pauta de discussões da Assembleia gaúcha após o recesso. As atividades do Poder Legislativo serão retomadas no dia 31 de julho.

sábado, 27 de junho de 2009

Collorgate: a ruptura da mídia com Collor

A imprensa desempenhou um papel fundamental na crise que culminou na renúncia de Fernando Collor de Melo, em 1992. A ruptura no padrão complacente ficou assim conhecida porque a mídia rompeu com a cumplicidade ao presidente, que perdurava desde a criação do mito “Collor, o caçador de marajás”, que levou Collor ao poder 30 meses antes.

Collorgate foi o nome pelo qual ficou conhecida a campanha devastadora que levou Collor ao impeachment, em setembro de 1992, por 441 votos a favor e 38 contra. Os ataques partiam principalmente das revistas Veja e IstoÉ, que se revezavam nos escândalos e denúncias de corrupção e as tentativas de Collor encobrir os rastros. A rede Globo, que foi decisiva na criação do mito “o caçador de marajás”, só entrou na campanha no último momento, quando a derrota de Collor já era eminente no Congresso.

As teorias que melhor explicam o Collorgate abordam o fato de Collor ter se elegido acusando seu oponente de planejar o confisco das poupanças populares. E na verdade era ele quem planejava tal confisco, o que realizou depois de eleito. O ato desencadeou uma série de fatores que culminou com inflação, perdas imensas e uma onda de corrupção.

O estopim para a queda de Collor foi a entrevista concedida por Pedro Collor a Luiz Costa Pinto, de Veja, em junho de 1992. Nela, o irmão do presidente revela com detalhes o esquema de corrupção arquitetado por PC Farias, muito acima das usuais taxas de corrupção da administração pública brasileira.

É somente após outra entrevista, desta vez concedida pelo motorista de Collor, Francisco Eriberto França, que a Rede Globo rompe com o presidente. A esta altura, a CPI já era uma realidade e o impeachment uma certeza. Neste momento, os estudantes, ausentes da política brasileira desde as Diretas Já, voltam às ruas e exigem a renúncia de Collor.

Foi a partir daí que a imprensa descobriu que a lealdade com seu público, e não com o palácio do governo, poderia ser comercialmente vantajosa e moralmente gratificante. A competitividade entre as revistas não foi o fator determinante na ruptura do padrão complacente da mídia, mas ajuda a entender as condições do processo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Carlos Minc vem ao RS discutir Código Florestal

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior está acompanhando a polêmica sobre o Código Florestal, especialmente os pontos que dizem respeito às reservas legais e às áreas de preservação permanente (APPs), que atingem diretamente a produção rural do Rio Grande do Sul. Por essa razão, Marchezan Júnior propõe que o debate tenha a contribuição e o esclarecimento do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.

O deputado esteve no Ministério do Meio Ambiente para tratar da vinda do Ministro ao Estado para participar de audiência pública sobre o Código Florestal. Para Marchezan, é de fundamental importância que o ministro conheça as peculiaridades e as culturas das diferentes regiões do Rio Grande do Sul, bem como a posição das entidades representativas do setor produtivo sobre as mudanças na legislação ambiental.

A participação do ministro ainda vai contribuir para esclarecer as diversas propostas de reforma do Código Florestal e os efeitos que a implantação das reservas legais e as APPs podem ter para o Rio Grande do Sul, um Estado voltado para a produção primária.
Segundo Marchezan Júnior, a audiência pública deve dar subsídios para que os gaúchos, especialmente os produtores rurais e as entidades representativas do setor, aproveitem a presença do Ministro, para compreender as alterações de propostas de mudanças ao código, como a utilização das APP´s como área de Reserva Legal e as áreas chamadas consolidadas, etc.

A audiência pública acontece na próxima quinta-feira, dia 25 de junho, às 14 horas, no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pregão eletrônico passa a ser obrigatório no Estado

A Assembleia Legislativa aprovou, na terça-feira, dia 2, projeto de lei do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB) que torna obrigatória a utilização do pregão eletrônico nos processos de compra de bens e serviços da administração pública estadual. O pregão eletrônico nada mais é do que um leilão inverso, onde quem vence a concorrência é aquele que oferece o menor preço pela prestação de um serviço ou venda de um produto.

O governo federal foi o precursor do uso do pregão eletrônico, que hoje é obrigatório em todas as esferas. Estima-se que, somente em 2008, a administração federal tenha economizado em torno de R$ 3,6 bilhões. No Rio Grande do Sul, a modalidade já era utilizada em alguns setores, proporcionando uma redução de despesas para o Estado de 45,3% no ano passado.

Segundo Marchezan Júnior, além de economia para os cofres públicos, o pregão eletrônico traz agilidade e transparência aos processos de aquisição de bens e serviços comuns na administração pública, uma vez que os nomes dos produtos e dos fornecedores estão disponíveis na internet e as operações podem ser conferidas por qualquer cidadão.

"É inegável que o pregão eletrônico é um avanço no serviço público, pois racionaliza os procedimentos de compras e de contratações, viabiliza o controle externo, inibe atos de corrupção, reduz custos operacionais e contribui para uma cultura de gestão com qualidade, racionalidade e controle", afirma.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Audiência pública debate teto salarial do serviço público

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) aprovou requerimento junto à Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, solicitando a realização de audiência pública para debater a aplicação do teto salarial do serviço público, previsto na Constituição Federal e Estadual. A reunião acontece nesta quinta-feira, dia 28, às 9h30, no Plenarinho da Assembleia Legislativa. A audiência terá a participação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de Contas do Estado e da Procuradoria Geral do Estado.

A aplicação do teto remuneratório no serviço público é uma antiga luta de Marchezan. Desde 2007 o deputado vem buscando implantar o limite no Estado. Neste mesmo ano, enviou recomendação à Mesa da Assembleia para que tomasse providências no sentido de cortar as remunerações acima do limite constitucional dos servidores da Assembleia Legislativa e recomendasse também o corte no Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

Em abril de 2009 Marchezan, com o respaldo da bancada tucana, Marchezan enviou novo requerimento à Mesa da AL recomendando o corte dos salários acima do teto no Poder Legislativo. No final de abril, a Mesa da ALERGS decidiu adotar o corte dos vencimentos acima de R$ 22.111,25.

"É preciso colocar um freio nos altos salários, pois os recursos destinados a essa fatia privilegiada de funcionários públicos tem feito falta para investirmos na Saúde, Educação, Segurança e na infra-estrutura, por exemplo", afirma Marchezan.

No Judiciário, Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado, há 123 servidores que recebem acima do teto nacional da magistratura, de R$ 24,5 mil. No Executivo, o corte atingiu os salários de 151 servidores que recebiam acima do limite, o que vai gerar uma economia de R$ R$ 4,9 milhões em 2009. Já na Assembleia Legislativa, a fixação do teto atingiu 41 servidores e vai gerar uma economia de cerca de R$ 2 milhões.

O que: Audiência pública para debater teto salarial do serviço público
Quando: Quinta-feira, dia 28, às 9h30
Onde: Plenarinho da Assembleia Legislativa (3º andar)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

AL aprova projeto de Marchezan que institui cotação eletrônica

A Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, nesta terça-feira (19), o projeto de lei do deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que torna obrigatória a realização de cotação eletrônica para a aquisição de bens e serviços pelo setor público.

Isso significa que todas as compras e contratações de serviços serão realizadas pela internet, como se fosse um leilão ao contrário – vence quem oferece o menor preço. O sistema de cotação eletrônica é indicado para compras de até R$ 8 mil e contratação de serviços e aquisição de bens de engenharia até R$ 15 mil. Até hoje, essas contratações eram realizadas pela administração pública sem licitação.

Para Marchezan Júnior, o sistema beneficia o Governo, a sociedade e, principalmente, as micro e pequenas empresas, que representam, hoje, 40% do total de fornecedores inscritos nos Estados que já utilizam a cotação eletrônica. "As pequenas compras, com valores abaixo de R$ 8 mil, são capazes de incrementar o faturamento dessas empresas, movimentando a economia", afirma o deputado.

O próximo passo, na fila de projetos de Marchezan Júnior, será buscar a aprovação do Pregão Eletrônico no setor público estadual. O projeto já está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça. Segundo o deputado, esses projetos compõem o conjunto de iniciativas do seu gabinete, focado na melhoria dos serviços públicos, na transparência e no combate à corrupção, visando a "tornar cada vez mais público o que é público".

domingo, 10 de maio de 2009

Marchezan participa de seminário de reforma política

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) participou, na última quinta-feira (07), do seminário A Reforma Política Necessária. Promovido pela Comissão de Constituição e Justiça, o evento foi realizado no Teatro Dante Barone e tinha por objetivo debater sobre as reformas no sistema político brasileiro. Os diálogos foram centrados em quatro temas: inelegibilidade, financiamento público exclusivo de campanha eleitoral, fidelidade partidária e cláusula de desempenho (ou barreira, como ficou conhecida).

Marchezan foi o debatedor no segundo painel, que tratava sobre o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle eleitoral e teve como palestrantes o desembargador Alfrego Guilherme Englert (TRE) e o promotor de Justiça Rodrigo López Zilio (MP). Destacou que uma reforma econômico financeira é de extrema importância para o país. “É preciso combater as fraudes e as compras de votos e é através de regras severas, com um aprimoramento dos mecanismos de fiscalização, seja através de financiamentos de campanha público, privado ou misto”.

O deputado definiu, ainda, outros fatores imprescindíveis para que haja avanço no sistema político brasileiro. O primeiro é a transparência. Marchezan entende que é preciso tornar público o que é público e hoje, o público não é público. “Ainda temos muito que avançar e a transparência é um dos controles essenciais para este avanço”.

A impunidade é vista por Marchezan como o principal problema do sistema eleitoral. “O dia que vencermos a impunidade no Brasil teremos um avanço muito grande no que se refere aos mecanismos de controle eleitoral”.

Marchezan visita Complexo Penitenciário de Charqueadas

Na manhã da última sexta-feira (08), o deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) visitou o Complexo Penitenciário de Charqueadas. Na ocasião o deputado pode conferir de perto a situação das unidades da PASC e PMEC.

Segundo Marchezan existem recursos e o Governo do Estado já se comprometeu a realizar as obras necessárias para a modernização tecnológica do complexo. O deputado sugeriu que a Susepe melhore sua capacidade de elaboração de projetos, pois o Governo tem recursos e está disposto a aplicá-los nesta complexa área.

A visita ao Complexo Penitenciário de Charqueadas faz parte de uma série de atividades que Marchezan Júnior vem realizando desde o início do ano. Tem por intuito buscar apoio para a criação da Comissão Permanente de Segurança Pública na Assembleia Legislativa. Para Marchezan, é de extrema importância avaliar a situação da segurança pública no Estado.

A proposta de Marchezan já conta com o apoio de muitos deputados. Até o final do primeiro semestre a Assembleia Legislativa deve aprovar a criação da Comissão Permanente de Segurança Pública.

Marchezan recebe apoio da Feconsepro para criação da Comissão de Segurança Pública

O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior (PSDB) recebeu em seu gabinete, na última quinta-feira (07), o coordenador da Federação dos Consepros do Rio Grande do Sul -Feconsepro, Jovino Antônio Demari e o vice-presidente da Feconsepro, Ito José Lanius.No encontro Marchezan e os representantes da entidade trocaram informações sobre asituação dos Consepros no Estado. Um dos temas tratados foi a aproximação das relaçõesentre a Secretaria de Segurança Pública e a Feconsepro.

Demari manifestou o apoio da Freconsepro à luta de Marchezan pela criação da ComissãoPermanente de Segurança Pública na AL. "É fundamental que o parlamento gaúcho tenha umespaço para discutir questões de segurança de forma permanente. A criação da Comissãovem ao encontro do trabalho desenvolvido pela Feconsepro".

Marchezan agradeceu o apoio e comentou que em 14 estados brasileiros, as assembleiaslegislativas se adiantaram e já criaram a Comissão de Segurança Pública. A segurançapública, segundo ele, é uma área de muitos problemas e as soluções precisam serdebatidas e colocadas em prática.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Justiça sendo feita?


O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal emitiu nesta terça-feira a sentença de prisão do banqueiro Daniel Dantas. Ele foi condenado pela Justiça Federal a 10 anos de prisão por corrupção ativa no processo sobre a tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal na Operação Satiagraha.

Os outros dois réus no processo, o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz, assessor de Dantas, e o professor universitário Hugo Chicaroni também foram condenados à prisão. Mas eles poderão recorrer da sentença em liberdade, já que o juiz não determinou a prisão.

O advogado de Dantas criticou exageradamente o juiz Fausto, alegando que o mesmo não poderia ter julgado o réu. Outro argumento utilizado é que o juiz desconsiderou ilegalidades na operação, como o uso da ABIN.

Impasse à parte parece que finalmente um pouco de justiça está sendo feita no Brasil. Talvez estejamos chegando à um novo período. Uma nova época. No mundo globalizado de hoje onde, os Estados Unidos acabam de eleger o primeiro presidente negro de sua história, o Brasil acaba de dar um passo importante: rico também vai para a cadeia. Se Dantas vai realmente ficar atrás das grades, só o tempo dirá. Mas só a condenação já representa um avanço na justiça tão desacreditada do país.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Perdão aos torturadores


Os Estados Unidos orgulham-se por sua guerra civil. Entre 1861 e 1865, os americanos lutaram internamente por sua nação, fortalecendo seu país e dando margem ao que hoje é a maior potência econômica mundial.

No Brasil, a luta não foi dada através de guerra civil, como nos EUA. Ocorreu por meio da ditadura militar. Foi o confronto entre o governo e os cidadãos, revoltosos por virtude do golpe. No período entre 1964 e 1985, milhares de brasileiros foram torturados e mortos. Muitos, até hoje, ainda não foram encontrados. Figuram na lista dos desaparecidos no período negro do país.

O Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) foi, por muitos anos, o inquisidor brasileiro. Era lá, nos confins dos corredores nefastos da polícia brasileira que os militantes eram torturados. Motivos políticos eram as principais causas. Seria porque detinham uma informação de suma importância para o prosseguimento da nação brasileira? Creio que não. Ou era porque faziam parte de um movimento que pretendia assassinar o presidente? É possível. Vai saber.

Ocorre que, 35 anos depois, o Governo Federal pretende rever a Lei da Anistia (6.683/79). Segundo o inciso 43 do Artigo 5º, é considerado crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo aos mandantes, aos executores e aos que, podendo evitá-los, se omitirem.

Na verdade, a polêmica iniciou quando a Advocacia Geral da União (AGU) deu um parecer defendendo a prescrição dos crimes de tortura ocorridos no regime militar. Em função disto, a OAB ingressou com pedido de análise da lei no STF. A ação contesta a validade do primeiro artigo da Lei da Anistia que considera como conexos e igualmente perdoados os crimes "de qualquer natureza" relacionados aos crimes políticos ou praticados por motivação política no período da ditadura.

Ora, como considerar perdoado um ato de tortura? Qual pessoa, em sã consciência iria apoiar tal alteração na lei? Mesmo que já tenham se passado mais de 30 anos, é inadmissível que a AGU pense em mudar a Lei da Anistia. E as mulheres que tiveram seus maridos torturados? E quanto àquela criança que cresceu sem ter um pai presente, porque ele sumiu em meio ao holocausto da ditadura militar brasileira?

Certamente nossos juristas não pensaram nessas pessoas. Desqualificar a Lei da Anistia é no mínimo imperícia, para não dizer algo pior. Está aí o Pinochet, para provar que crimes de guerra não prescrevem. O ato de tortura deve ser reprovado sempre. E deve ser punido como manda a constituição brasileira.
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* Texto publicado na Coluna de Opinião do Portal 3 nesta semana.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A América mudou


A escolha de Barack Obama como novo presidente dos Estados Unidos é mais que uma vitória. É um marco na história americana. Os milhões de votos que recebeu o tornaram o primeiro presidente negro do país. Sua vitória representa uma mudança político-cultural incrível para a tão conservadora sociedade americana. Obama certamente vai entrar para a galeria onde já estão Reagan, Nixon e Kennedy. Esse último, assassinado em 1963.

Em seu discurso de vitória, Obama mencionou Lincoln, para citar que a nação deve estar unida. Que os americanos devem unir-se em torno de seu novo presidente, para qualificar a ainda mais poderosa nação do mundo.

O presidente terá pela frente uma missão ingrata: tirar os Estados Unidos da maior crise das últimas décadas. Não será uma tarefa fácil manter a maior potência econômica mundial ainda no comando. Talvez ela tenha chegado ao fim de seu ciclo.

A economia que impulsionou os EUA nos últimos anos está prestes a ruir. Com isso, o medo de uma quebradeira mundial é grande. Mas os economistas alertam que a crise não foi gerada hoje. É resultado de uma série de erros cometidos ao longo dos últimos anos. E talvez tenha chegado ao limite. E que ironia: caberá ao primeiro presidente negro de sua historia reverter tal crise. Obama terá um enorme pepino para descascar.

Sorte dos americanos que seu novo presidente é o Obama. Já pensou se fosse Osama? Ou melhor, fazendo jus ao seu sobrenome: seria Barack Obama ou Osama Hussein?

Se fosse o segundo, já saberíamos o que o novo presidente faria em janeiro do ano que vem: terrorismo na economia americana. Mas isso é algo que não deve acontecer. Obama fará mais pela história do país do que, simplesmente, ser o primeiro presidente negro a governar os Estados Unidos. Deverá ficar marcado na história como mais um período de mudança: o término de um ciclo e o início de outro.


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*Este texto foi publicado na minha coluna de opinião no Portal 3 desta semana.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Primeiro debate é na TVCOM

Dos oito candidatos que começaram a disputa à prefeitura de Porto Alegre, restam apenas dois: José Fogaça (PMDB) e Maria do Rosário (PT). Os dois avançaram ao segundo turno com 43,85% e 22,73%, respectivamente. A busca pelos 33,42% de eleitores restantes se intensifica neste domingo, 12, com o primeiro debate deste segundo turno. O confronto será transmitido pela TVCOM (canal 36) a partir das 22h, ao vivo. O jornalista Lasier Martins vai ser o mediador.

O encontro será dividido em quatro blocos, sendo no primeiro e no terceiro com perguntas de tema livre. Já no segundo e no quarto bloco, os candidatos farão perguntas a partir de um tema sorteado. As considerações finais acontecerão no quarto bloco. Cada candidato terá 30 segundos para fazer a pergunta e um minuto e 30 segundos para a resposta, com um minuto para réplica e tréplica.

O debate entre Fogaça e Maria do Rosário também será transmitido pela
Rádio Gaúcha (600AM e 93.7FM), com os repórteres trazendo informações durante o programa Gaúcha Faixa Especial.

Horário Político
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão em Porto Alegre recomeça neste sábado, 11. E segue diariamente, e de forma ininterrupta, até o dia 24, antevéspera da eleição.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleições

O final de semana foi agitado. A corrida eleitoral corroborou para que tivesse pouco tempo para posts políticos no final de semana. Mas para não passar batido, deixo o sincero agradecimento às 258 pessoas que acreditaram na candidatura de meu pai, José Barbosa.

E principalmente, gostaria de agradecer as palavras de solidariedade dos companheiros de legenda que, mesmo com o pai tendo ficado de suplente, reconheceram a importância dele para o pleito. É através da união que se conquista uma vitória. Não somente com promessas, mas com propostas. A receptividade que encontrei ontem dos tucanos me surpreendeu. Coisa que em muitos anos de PMDB não tinha visto. É sinal de novos tempos. Achei muito bacana o gesto das pessoas vindo cumprimentar e salientando a luta e a importância das pessoas que, mesmo não tendo votado nele, lamentaram a perda e, acima de tudo, reconheceram seu trabalho e importância.

Para aqueles que bateram palmas quando ele deixou o PMDB dois anos atrás, rumo à um novo projeto no PSDB, lembro: aquele que dá é também aquele que tira. Parabéns Darcy pela esmagadora vitória, com 1410 votos de diferença.

Para não gastar maiores comentários sobre política, vou fazer do uso do toxto da minha amiga Carlinha, que teve a felicidade de nascer em um grande dia, o mesmo que o meu (6 de outubro), mas odeia política. Mas mal sabe ela que a Cafeteria é o lugar onde mais se faz política. É na cafeteria que traçamos os grandes debates, as principais conjecturas. Mas sabe ela que, em seu texto odioso à política, fez nada menos que, política.

Segue:

"Meu verso calado"

As eleições acabam domingo!!!
Eu não sou mesária dessa vez!!!
E é isso o que eu tenho pra falar. Odeio política, que fique claro.

Odeio tanto que vou dizer o que eu penso dela: a política é a forma mais desonesta e hipócrita que os humanos bolaram de tentar dominar cargos. É como se fossem pequenos líderes de chapa estudantil que prometem um show da Madonna no ginásio e, quando ganham, apenas tiram onda da popularidade e o ginásio continua abandonado e com papéis de 7 belo's no chão.

É o homem-barbado e a mulher-madura fazendo papéis de atores na tv, contratando idiotas pra gritar musiquinhas altamente irritantes na rua - e atrapalhar as caminhadas do parcão, por exemplo -, sujar a cidade com folhetos estupradores de opinião, e atrapalhar o bom andamento do rádio e da televisão. É o circo dos horrores, os erros crassos, o descaso social; tudo isso na sua forma mais descarada. Eleitores fingem que enganam, o povo finge que acredita, vota em qualquer um e depois vai pra casa pra, na semana seguinte, reclamar da política e do descaso social.

Uma babaquice total, sem limites, sem padrão.Como eu acho que deveria mudar? Sempre fui a favor da "escola de políticos". Uma espécie de faculdade de administração com termos econômicos, linguísticos, políticos, geográficos, históricos, etc. Nisso, pra cooomeçar, se tu quisesse se candidatar tinha, no mínimo, que ter feito essa faculdade. Não é porque tu é médico, gari ou cineastra que entende de política.

Segundo que eu acho que os políticos tinham que ser analisados (em caso de "mensalão", por exemplo) por membros de universidade e/ou cabeças pensantes, a classe favorecida intelectualmente. Sorteados aleatoriamente, os membros dessa equipe estudariam o caso do "ladrão". A coisa mais corrupta que existe no planeta são os próprios políticos se apoiando pra roubar mais.

Terceiro..Brasileiro tinha que ter garra de Argentino.Falem o que quiserem, aquele povo tá até hoje pedindo as Malvinas nas reuniões da ONU, e batem panela quando precisam.Aqui, pra tudo tem um "jeitinho". É só novela e futebol. Pra puta que pariu todo mundo..Lembram da política do "pão e circo" ? Lembram dos gladiadores sendo lacerados por leões pra poder entreter a visão obscurecida do povo??? Aqui é pior, porque temos algumas centenas de anos a mais de cultura e informação. Eu odeio política, fato.


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Nervos a flor da pele


Esquentou a briga. O último debate entre os candidatos a prefeito de Porto Alegre foi bastante movimentado. O duelo, ocorrido no Teatro da AMRIGS e transmitido pela RBS TV foi caloroso. Apesar das inúmeras discussões e de três pedidos de direito de resposta, negados pela coordenação do programa, o nível foi bom.

O debate aconteceu entre seis dos oito prefeituráveis. Como regra, somente os candidatos com representação na Câmara Federal poderiam participar. Por pouco o debate não foi cancelado, como ocorreu em outras capitais. Uma salva para Carlos Gomes, candidato do PHS, que fez acordo com a RBS e trocou a participação por uma entrevista no Jornal do Almoço e outras inserções extras.

A candidata Luciana Genro (PSOL) mostrou farpas para todos os lados e acabou saindo-se bem. Na falta de propostas, o que restou foi o ataque aos demais.

De resto, sem comentar muito a performance de ambos, saliento como é diferente ver o debate ao vivo. Na televisão não conseguimos prestar atenção no contexto em que ocorre o debate. Muita coisa passa sem que seja mostrada no ar.

A platéia, por exemplo: dividida em 80 convidados por candidatos, tinha horas que parecia um campo de guerra. Mas tudo só passou de algazarra. Ânimos agitados. Pessoas civilizadas.

Marchezan relembrou as propostas voltadas à saúde. Idéias simples, mas que trariam um grande benefício à população. Resolver o problema de gestão na saúde, informatizando o ciclo de consultas é uma ótima sacada. É incrível que em pleno século XXI Porto Alegre ainda não tenha informatizado sua saúde.

A Manuela é muito engraçada. Parece uma guria inquieta. Não parava um minuto. Parecia um pouco nervosa. Prova disso ocorreu em dado momento, quando depois de responder uma pergunta, perdeu-se sobre pra quem deveria perguntar.

Já o Fogaça estava tranquilão, na dele. Resultado de quem já conhece há muito o campo dos debates. Não atacou ninguém. Mas procurou-se defender de todos. O cara era o alvo.

A Maria do Rosário vem sempre com aquele papinho demagogo onde, o PT sempre é o melhor. E que com ela, os recursos virão. Graças ao tio Lula. Claro que isso não se pode levar muito em conta. O presidente é do Brasil. E não do partido.

Vou parando por aí, pois o post já ta grandinho. Mas não poderia deixar de registrar que o Lasier Martins também se perdeu algumas vezes. Via-se muito agitado sempre que a platéia reagia a determinadas colocações dos candidatos.

Muito bom o debate na RBS. Gostei. Que diferença ver ao vivo e na televisão.

Conjecturas

Já está no Portal 3 a minha opinião desta semana. Em caráter especial, devido às eleições, vou postar o texto na íntegra no blog. Segue:

Creio que uma das melhores partes da política é quando nos reunimos para fazer conjecturas. As previsões sobre os rumos de uma eleição. Muitas vezes não chegamos nem perto. Mas o importante é debater, supor. É quase tão bom quanto falar de futebol.

O pleito deste ano na Capital gaúcha reserva uma situação inusitada. Até os amantes da arte da argumentação vêem-se, muitas vezes, numa sinuca de bico. Como criar uma situação hipotética para o segundo turno das eleições em Porto Alegre?

Para tal, é preciso rasgar tudo o que você já viu sobre política no Rio Grande do Sul. Quem ousaria dizer, três anos atrás que o PC do B iria se coligar com o PPS? Ou então, que a esquerda aceitaria doações da Gerdau? Melhor ainda: quem iria imaginar que, em 2006, Germano Rigotto não iria disputar o segundo turno para o Governo do Estado? Quem pensasse isso, certamente seria chamado de louco.

Mas o tempo passou e tudo isso realmente aconteceu. E neste domingo um novo capítulo na política gaúcha nos espera. Os eleitores irão às urnas votar no candidato que melhor lhe agrada, que tem a melhor das propostas, segundo sua ótica. O voto consciente deve imperar sobre todo o resto.

Encerradas as votações, em quem você apostaria para um segundo turno? As pesquisas só dão um candidato com cadeira cativa lá: José Fogaça. A disputa pela outra vaga está entre Maria do Rosário e Manuela. Quem vai chegar lá? A diferença é mínima.

Os mais cautelosos lembrariam o chamado “efeito Rigotto”. Em 2006, todas as pesquisas apontavam o então governador como presença certa no segundo turno. O que não se confirmou nas urnas. Mas não é aí que quero chegar. E também não desprezo essa chance. As projeções para o segundo turno são o meu objetivo.

Se as pesquisas estiverem certas e Fogaça chegar lá e o adversário for a Maria do Rosário: quem estará com quem? O PC do B de Manuela vai manter suas bases históricas de esquerda e apoiar a Maria do Rosário? Ou vai seguir o caminho do PPS, então apoiador de Fogaça há até bem pouco tempo? Difícil dizer, muito difícil.

Mas, se ao invés da Maria, a Manuela for para a disputa com o Fogaça? Quem o PT irá apoiar? O PC do B ou o PMDB? Se for o segundo, podemos estar diante de um acontecimento histórico. Já pensou o PMDB receber apoio do PT, como ocorre no governo Lula? Os gaúchos sempre estiveram distantes do cenário nacional onde, já há algum tempo, os dois partidos tornaram-se aliados. Adversários ferrenhos em outras épocas, PMDB e PT podem terminar de rasgar toda a cartilha política das últimas décadas. É uma hipótese que, na época do Olívio e do Britto, seria impensável.

Qualquer suposição é difícil para este pleito. Se levar em conta a história dos partidos, iremos para um caminho. Se por outro lado, analisar a situação recente em âmbito nacional, tudo o que pensei na frase anterior deve ser esquecido. Fazer conjecturas para a eleição na Capital está difícil, muito difícil. Na segunda-feira vamos saber o que nos espera.

Não deu pro Sessim


É parece que não vai ser desta vez que o Sessim vai conseguir voltar ao cenário eleitoral. Melhor dizendo, que vai conseguir concorrer. O cara já virou um mito, tamanhas são as tentativas frustradas de pleitear novamente o cargo de prefeito de Tramandaí. Tem no seu histórico inúmeros desvios de dinheiro, prisões e fugas mirabolantes.

A decisão do TSE foi coerente com as decisões anteriores, confirmando a decisão do Tribunal Regional Eleitoral, que negou o registro da candidatura do ex-prefeito de Tramandaí. Agora não tem mais recurso. Sessim está definitivamente fora do pleito.

Contudo, seu nome ainda aparecerá na urna eletrônica, tendo em vista que faltam poucos dias para a eleição. Podemos ter novamente uma grande soma de votos anulados em Tramandaí, como aconteceu na eleição anterior.

Penso que se, por um lado a justiça eleitoral está certa em proibir sua candidatura, por outro deveriam deixá-lo concorrer. Terminaria assim “o mito Sessim”, que amedronta os candidatos em todas as eleições. Não há como negar que seria um fortíssimo candidato, mas creio que seu tempo já passou. Se Sessim concorresse e fosse derrotado, nunca mais ouviríamos falar nele. Agora, resta esperar a próxima eleição.

Confira a decisão do ministro Felix Fischer, o mesmo que acabou com a esperança de Daniel Bordignon de concorrer em Gravataí:
"Decisão Monocrática em 01/10/2008 - RESPE Nº 29787 MINISTRO FELIX FISCHER
Vistos etc.,
Cuida-se de recurso especial eleitoral interposto por Eloi Braz Sessim contra v. acórdão proferido pelo e. TRE/RS assim ementado (fl. 267):
"Recurso. Eleições 2008. Impugnação a registro de candidatura. Acolhimento das impugnatórias, sob fundamento de que a vida pregressa do pré-candidato atenta contra os princípios da moralidade e probidade administrativa.
Preliminar de nulidade afastada. Candidato processado e condenado em inúmeros feitos de natureza criminal contra a Administração Pública, pendentes de trânsito em julgado. Tramitação de recursos nas instâncias superiores em relação a outras tantas condenações, inclusive por crime de responsabilidade e de improbidade administrativa. Extinção da punibilidade lograda pelo recorrente em diversos processos. Acórdão desta Corte que indeferiu o registro de candidatura do recorrente às eleições de 2004. Conduta processual da parte evidencia emprego de medidas protelatórias do trânsito em julgado, que dão azo a que o recorrente invoque o princípio da inocência e ausência de coisa julgada em favor do seu registro de candidatura.
Existência de feito no qual não se pode mais desconstituir o mérito da decisão condenatória. Efeitos que não podem mais ser modificados, gerando restrição ao exercício dos direitos políticos e condição de inelegibilidade. Processos nos quais foi declarada extinta a punibilidade, após a prescrição, sofrem a incidência da inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da Lei Complementar n. 64/90.
Provimento negado" .
Versam os autos sobre pedido de registro de candidatura de Eloi Braz Sessim, que pretende disputar a chefia do executivo de Tramandaí (RS) nas eleições 2008, impugnado pelo Ministério Público Eleitoral.
O juízo monocrático acolheu a impugnação, "com base no princípio da moralidade e probidade administrativa e os fatos comentados anteriormente em relação à vida pregressa do impugnado (...)" (fl. 189). Prevaleceu, portanto, a inelegibilidade do pré-candidato, nos termos do art. 1º, I, e, da LC nº 64/90.
Irresignado, o interessado recorreu ao e. TRE do Rio Grande do Sul, que manteve o indeferimento do pedido de registro, nos termos da ementa transcrita.
Nas razões do especial o recorrente aduz, em síntese, que:
a) "o Acórdão hostilizado violou princípios constitucionais, além é claro de ter proferido uma decisão ultra petita, ou seja, o órgão jurisdicional concede mais do que o reclamado" (fl. 291);
b) houve ofensa à norma prevista no art. 1º, I, e, da LC
nº 64/90 e ao art. 15, III da Constituição Federal;
c) não há prescrição da pretensão executória nos processos 073/2.04.001188-5 e 693122541. "(...) nos dois processos aduzidos pela julgadora, o recorrente foi beneficiado com a decretação da prescrição da pretensão punitiva e não executória. Sendo assim, é pacífico na doutrina e na jurisprudência que tal ocorrência apaga todos os efeitos da condenação" (fls. 300-301);
d) há violação ao art. 15, III, da CR, porquanto "no caso vertente não há nenhuma condenação criminal com trânsito em julgado. Assim, houve violação por parte do Acórdão recorrido, já que somente o óbice imposto na lei poderia dar ensejo à inelegibilidade" (fl. 292).
Parecer da d. Procuradoria-Geral Eleitoral (fls. 446-448) pelo não-provimento do recurso, ao fundamento de que a análise das razões recursais implicaria reexame de fatos e provas, defeso, nos termos da Súmula nº 7/STJ.
Relatados, decido.
Conheço do recurso por entender que preenche os requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade.
Prima facie, o recorrente alega que o v. aresto combatido revela "(...) uma decisão ultra petita, ou seja, o órgão jurisdicional concede mais do que o reclamado" (fl. 291).
A toda evidência, não se pode falar em decisão ultra petita. Na hipótese dos autos, o c. Tribunal a quo manteve sentença de indeferimento do registro de candidatura do recorrente, tendo apenas fundamentado de forma diversa sua conclusão. Merece transcrição o seguinte excerto do v. aresto atacado:
"Por tudo o que se disse, resta claro que a sentença que indeferiu o pedido de registro de candidatura de Elói Braz Sessim merece ser mantida, porém, por fundamento diverso do que foi considerado pelo magistrado a quo, que baseou a decisão de indeferimento na vida pregressa do pré-candidato" (fl. 282).
O recorrente não se encontra, nesta quadra, em situação diversa ou menos favorável, uma vez que o cerne da lide continua sendo sua participação nas eleições 2008.
Superada a questão, passo ao exame de mérito.
Três fundamentos nortearam o convencimento da e. Corte a quo: a) foram apresentadas várias condenações criminais contra o ora recorrente, sendo que em duas delas houve prescrição da pretensão executória; b) ações que discutem as condenações não tiveram trânsito em julgado somente por força de recursos que, segundo se concluiu, têm intuito meramente protelatório; c) deve ser mantida a sentença recorrida, não pela análise de vida pregressa, mas sim pela efetiva suspensão de direitos políticos do ora recorrente.
No exame da quaestio juris dos autos, não me atenho ao segundo fundamento adotado pela e. Corte Regional: ser ou não meramente protelatório o intuito de discutir judicialmente as diversas condenações criminais arroladas pelo r. voto condutor do decisum combatido.
Atribuo destaque ao primeiro fundamento que, autônomo, impede o provimento do apelo nobre. A e. Corte Regional, soberana na análise do substrato fático-probatório dos autos, consignou que em dois processos criminais ajuizados contra o ora recorrente, houve prescrição da pretensão executória. Confira-se:
"Agrego, como fundamento do voto de indeferimento do pedido de registro de candidatura do recorrente, deve ser verificada a incidência da alínea 'e', pois as condenações nos processos 073/2.04.001188-5 e 693122541, nos quais foi declarada extinta a punibilidade após a prescrição, tiveram a decisão transitada em julgado em datas de 11/09/2006 e 03/04/2006, respectivamente.
Conforme assentado na jurisprudência do c. TSE, nessa hipótese, incide a inelegibilidade prevista na alínea 'e'" (fl. 284).
A e. Corte Regional mencionou precedentes deste e. Tribunal que confirmam persistir, após extinta a pretensão executória, a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da Lei Complementar nº 64/90. De fato, esse entendimento é pacífico na jurisprudência desta e. Corte. Transcrevo o sumário dos seguintes julgados:
"(...)
- Conforme amplamente debatido pelo Tribunal no julgamento do Recurso Especial nº 23.851, relator designado Ministro Carlos Velloso, de 17.3.2005, a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, incide após a prescrição da pretensão executória" (g. n.) (REspe nº 28390, Rel. e. Min. Caputo Bastos, 18.8.2008);
"RECURSO ESPECIAL. REGISTRO DE CANDIDATO. INDEFERIMENTO. MOTIVO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. EXTINÇÃO DA PENA. INELEGIBILIDADE POR TRÊS ANOS. LC nº 64/90, art. 1º, I, e. CPC, art. 462.
1 - As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas ao tempo do registro de candidatura (Ac. nº 22.676,
rel. Min. Caputo Bastos).
2 - Aplicabilidade do art. 462 do CPC nas instâncias ordinárias.
3 - Hipótese em que incide a inelegibilidade, por três anos, após a prescrição da pretensão executória.
Recurso especial desprovido" (g. n.) (REspe nº 23.851, Rel. designado e. Min. Carlos Velloso, DJ de 26.8.2005);
"DIREITOS ELEITORAL E PROCESSUAL. AGRAVO INTERNO. REGISTRO. INELEGIBILIDADE. COLIGAÇÃO. INTERESSE E LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR. CONDENAÇÃO CRIMINAL. PRESCRIÇÃO. NÃO-DEMONSTRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL PARA DECLARAR PRESCRIÇÃO DE CRIME NÃO ELEITORAL. RECURSO DESPROVIDO.
(...)
II- Condenação criminal. Alegação de prescrição da pretensão executória. O reconhecimento da prescrição da pretensão executória afasta apenas a execução das penas corporal ou pecuniária, subsistindo os efeitos secundários da decisão condenatória e a inelegibilidade. Ausência de comprovação da declaração da prescrição pela Justiça competente. Impossibilidade de reconhecimento, pela Justiça Eleitoral, em sede de registro de candidatura, de prescrição da pretensão punitiva ou executória de decisão condenatória prolatada pela Justiça Comum estadual. Precedentes da Corte" (g. n.) (RO nº 654, Rel. e. Min. Sálvio Figueiredo, publicado em Sessão de 4.10.2002).
Merece nota, ademais, que o próprio recorrente admite "que na prescrição da pretensão executória, incidem os efeitos da condenação, tais como o de inelegibilidade disposto no art. 1º, inc. I, da Lei Complementar nº 64/90" (g. n.) (fl. 300). Entretanto, o recorrente pretende, na via especial, obter novo exame fático-probatório, já realizado pela e. Corte Regional, manifesto na aventada análise documental relacionada aos processos 073/2.04.001188-5 e 693122541. Isso para que se reconheça, no ponto, a alegada prescrição da pretensão punitiva. Nesse sentido
alega: "apenas para que não pairem dúvidas sobre a ocorrência e decretação da prescrição da pretensão punitiva nos processos supra mencionados
anexam-se aos autos do recurso as respectivas Certidões" (fl. 303).
A toda evidência, descabe, em sede de recurso especial, o pretenso reexame de provas (Súmulas nos 7/STJ e 279/STF).
Com essas considerações, nego seguimento ao recurso especial eleitoral, nos termos do art. 36, §6º, do RI-TSE.
Publique-se.
Brasília, 1º de outubro de 2008.
MINISTRO FELIX FISCHERRelator"

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Você tem medo de seu voto?


Uma pesquisa realizada em Nebraska, Estados Unidos, trouxe novas idéias sobre os motivos que levam uma pessoa a votar em um candidato ou numa proposta política. Foram colocados quarenta e seis voluntários numa sala. Numa tela, exibiram imagens de uma aranha gigante e de um homem apavorado. Sons assustadores foram jogados no ambiente.

Os voluntários tinham sensores nos rostos para medir o número de piscadas e as expressões faciais. Eles responderam a perguntas sobre pena de morte, patriotismo e Guerra do Iraque.

Pasmem! Para surpresa de muitos, aqueles que sentiram mais medo no teste da aranha são os que defendem a pena de morte, a invasão do Iraque e o patriotismo extremo. Ou seja, o voto também é uma reposta ao medo. Ou à ausência dele. O que você acha dessa pesquisa? Tem lógica ou é besteira?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Nada como uma eleição


Já faz algum tempo que não falo sobre política. Nem parece mais que o blog também se destina à política, de tanto tempo que não entro neste assunto. Mas essa eu não resisti.

Sábado voltei a Imbé depois de 15 dias a fio na Capital. Duas semaninhas apenas. E que mudança encontrei ao chegar. Mas que maravilha! Nada como um ano de eleição. Fiquei impressionado.

Há bem pouco tempo atrás. Uns 20 dias para ser mais exato, os jornais que circulam pela cidade estampavam manchetes dos problemas financeiros vivenciados pela prefeitura. Diziam que ia faltar merenda para os alunos, transporte para os estudantes, remédios nos postos de saúde. Enfim. Era uma fartura. E tudo por causa da tal da suplementação que a Câmara não botou em votação.

Eis que para a minha surpresa no sábado, a situação que encontrei foi totalmente diferente. Imbé é um canteiro de obras. Ruas asfaltadas e calçadas em diversos bairros. O bairro João Clemente ganhou asfalto em três ruas. Até a Avenida Nova Petrópolis recebeu uma camada de asfalto. Fiquei impressionado.

E tudo isso em 15 dias. Vale lembrar que a suplementação ainda não entrou em pauta no Legislativo. Como é que agora tem dinheiro?

O Poder Executivo parece que testa a inocência do povo. Será que pensam que os moradores não se dão conta de que a prefeitura teve quatro anos para executar tais obras. E nada. Deixaram para os últimos três meses. Para a reta final da eleição. Atitudes como esta é, no mínimo, duvidar da inteligência dos eleitores. A resposta virá no dia 5.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Na luta pelo diploma


Ao longo desta semana o Portal 3 vai fazer uma cobertura especial sobre a desregulamentação da profissão jornalista. Diversas matérias serão produzidas sobre o tema, com opiniões e inclusiva, a presença no dia 13, na Caminhada pelo Diploma, em Porto Alegre.
Não deixe de acompanhar esta importante discussão: a desregulamentação ou não da profissão jornalista.