Mostrando postagens com marcador crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônica. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de junho de 2009

Collorgate: a ruptura da mídia com Collor

A imprensa desempenhou um papel fundamental na crise que culminou na renúncia de Fernando Collor de Melo, em 1992. A ruptura no padrão complacente ficou assim conhecida porque a mídia rompeu com a cumplicidade ao presidente, que perdurava desde a criação do mito “Collor, o caçador de marajás”, que levou Collor ao poder 30 meses antes.

Collorgate foi o nome pelo qual ficou conhecida a campanha devastadora que levou Collor ao impeachment, em setembro de 1992, por 441 votos a favor e 38 contra. Os ataques partiam principalmente das revistas Veja e IstoÉ, que se revezavam nos escândalos e denúncias de corrupção e as tentativas de Collor encobrir os rastros. A rede Globo, que foi decisiva na criação do mito “o caçador de marajás”, só entrou na campanha no último momento, quando a derrota de Collor já era eminente no Congresso.

As teorias que melhor explicam o Collorgate abordam o fato de Collor ter se elegido acusando seu oponente de planejar o confisco das poupanças populares. E na verdade era ele quem planejava tal confisco, o que realizou depois de eleito. O ato desencadeou uma série de fatores que culminou com inflação, perdas imensas e uma onda de corrupção.

O estopim para a queda de Collor foi a entrevista concedida por Pedro Collor a Luiz Costa Pinto, de Veja, em junho de 1992. Nela, o irmão do presidente revela com detalhes o esquema de corrupção arquitetado por PC Farias, muito acima das usuais taxas de corrupção da administração pública brasileira.

É somente após outra entrevista, desta vez concedida pelo motorista de Collor, Francisco Eriberto França, que a Rede Globo rompe com o presidente. A esta altura, a CPI já era uma realidade e o impeachment uma certeza. Neste momento, os estudantes, ausentes da política brasileira desde as Diretas Já, voltam às ruas e exigem a renúncia de Collor.

Foi a partir daí que a imprensa descobriu que a lealdade com seu público, e não com o palácio do governo, poderia ser comercialmente vantajosa e moralmente gratificante. A competitividade entre as revistas não foi o fator determinante na ruptura do padrão complacente da mídia, mas ajuda a entender as condições do processo.

domingo, 21 de junho de 2009

Sob outro ângulo

Novos olhares é o resultado de uma série de entrevistas veiculadas no programa Fantástico, da rede Globo, em 2007. O livro, escrito por Zeca Camargo, conta os bastidores das entrevistas, bem como as conversas mantidas com cada um dos entrevistados. É uma viagem pelo mundo digital, pela memória, imaginação, arquitetura, educação, direitos civis, minorias, religião, felicidade, sexo, meio ambiente, física, consumo e multiculturalismo.

Em vida digital, Zeca Camargo conversa com o semiologista Steven Berlin Johnson sobre os efeitos do videogame no comportamento das pessoas. A entrevista buscou mostrar que os games não são aquele vilão que todos pensam. Na conversa Johnson explicou diversos fatores que vem em contrapartida ao que se pensa sobre os jogos. Um dos dados levantados é que as crianças se tornam mais inteligentes. Ao mesmo tempo, as pesquisas só buscam avaliar a violência dos jogos, se concentrando no comportamento violento que elas podem gerar. Johnson lembra que quando jogamos, pensamos nas regras, no espaço do sistema e em todas estas variáveis se interligando. E isto, segundo ele, é uma variável complicada de pensamento. Uma dieta balanceada seria a solução: videogame, livros, lazer.

A memória e a imaginação sempre foram alvo de diversos estudos. A busca pela felicidade então, é repleta de teoremas. Mas existe uma fórmula mágica para a felicidade? Nesta entrevista, Zeca Camargo conversa com o professor de psicologia na Harvard University, Daniel Gilbert. O professor explica sobre as diversas vezes em que “tropeçamos na felicidade”. Segundo ele, cometemos um erro em busca da felicidade por dois motivos principais: a imaginação e termos ideias muito erradas sobre a felicidade. Para ele, a imaginação é como um amigo não muito confiável, que comete erros, como a nossa memória: lembramos de algo e nos enganamos. Um destes enganos é acreditarmos que os eventos futuros terão um impacto mais forte do que na realidade eles terão. Mas nem tudo está perdido. Gilbert conta ao longo da entrevista caminhos que podemos buscar para contornar estas questões.

A arquitetura faz parte da historia da humanidade. Palácios e monumentos históricos transcendem os tempos. As pirâmides do Egito, a esfinge de Gizé, o museu do Louvre. Todas obras arquitetônicas grandiosas. Mas que tal sair deste caminho ostentoso e nos voltarmos à realidade cotidiana da favela carioca? Em arquitetura, Zeca Camargo desbrava este lado esquecido pela maioria. Conversa com Alain de Botton. Em pauta, a arquitetura vista pelo lado da satisfação: o aconchego das cidades, as ruas e as casas onde moramos. Dentre muitos conceitos levantados, Botton fala que toda arquitetura precisa ser local, mas não necessariamente exótica. Precisam ser simples.

Em educação dos filhos, a busca é traçar um parâmetro sobre o que é a personalidade. Qual a influencia dos pais na formação? Qual a influencia dos genes? Até onde o relacionamento com os amigos, professores e familiares influencia no caráter e nos gostos? E se essa observação fosse feita em gêmeos? Como seria abordada? Quais as características predominantes e diferentes? Tudo isto, Zeca Camargo busca responder neste capítulo. Em conversa com a psiquiatra Norma Escosteguy, são mostradas as características básicas, bem como levantadas as discussões sobre o que a criança traz do nascimento e o que ela aprende com o meio em que vive. E a base deste parâmetro são os gêmeos. Como eles se desenvolvem neste ambiente, com características diferentes.

O Brasil é considerado um dos países mais tolerantes do mundo no quesito preconceito. Muito disto se deve ao fato de termos uma população formada por uma mistura de etnias. Este nicho cultural é que talvez tenha colocado o país neste patamar sem muitos preconceitos. Contudo, não é correto afirmar que eles não existem. Em minorias e direitos civis, Zeca Camargo busca mostrar outra realidade brasileira: o preconceito leve. Neste ponto, o professor Kenji Yoshino conta um pouco sobre as tribos: o não ser algo demais. Neste mundo contemporâneo, as pessoas usam um disfarce para mostrar quem realmente são. E é por este caminho que a conversa segue, com discriminações sexuais, de raça e status social.

A espiritualidade é algo que mexe com a crença das pessoas. Mais do que entender religião, é preciso saber definir uma religião. Num país como o Brasil, formado pela sua maioria de católicos, o budismo ainda parece ser algo distante. Em religião, Zeca Camargo busca entender mais sobre esta arte milenar. Pankaj Mishra explica que o budismo não é uma religião, com regras que você tem que seguir e aceitar, mas sim, uma filosofia de vida, baseada em ideias. No diálogo, ele conta que você pode ter pensamentos budistas sem abandonar sua religião e explica sobre em detalhes sobre esta arte milenar.

Novos olhares é um livro imperdível. É uma oportunidade única para conferir as opiniões de diversos especialistas em áreas importantes para o nosso sistema de vida. Mostra como uma sociedade baseada no igual é tão diferente. E neste ponto, novos olhares encara temas conhecidos e batidos sob um ângulo pouco discutido.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Para longe com os dólares


Que brasileiro é apaixonado por futebol todo mundo sabe. Agora, quem imagina o que se passa na cabeça de um torcedor durante o Campeonato Brasileiro? Antigamente, o certame passava despercebido até a reta final. A primeira fase não atraía tanta atenção quanto os jogos em mata-mata, pois era ali que o campeonato se decidia. Grande contra pequeno. Craques contra pernas-de-pau. Tudo era decidido em 180 minutos. O resto não importava.

Em 2003 essa simbiose começou a mudar. Era o início da era dos pontos corridos. Uns profetizaram que seria o fim do Campeonato Brasileiro. Outros, que o torcedor não iria mais aos estádios, pois teríamos um nacional sem graça caso alguma equipe disparasse. As apostas eram de que seria um campeonato desigual e sem prestígio. Mas para a alegria dos torcedores e desgraça dos corneteiros, não foi isto que aconteceu. O Brasileiro a cada ano aumenta seu prestígio. Os estádios lotam a cada rodada. Todo jogo é disputado como se fosse uma final. Os pontos perdidos na primeira rodada podem fazer falta no final. Para se ter uma idéia deste sucesso, a melhor média de público em 2002, foi do Paysandu, com 23.242 torcedores. Em 2008, o Flamengo terminou o campeonato com média de 40.694, um recorde se comparar com os números anteriores.

Então, se o Campeonato Brasileiro por pontos corridos é sucesso, o que é que pode atormentar os pensamentos dos dirigentes e torcedores? Neste novo formato, com o Brasileirão sendo disputado durante nove meses, as vendas dos jogadores durante a competição são o martírio dos clubes. A cada janela de agosto, uma onda de empresários invade o Brasil com milhares de dólares a fim de levar nossos talentos para o exterior. Cada craque que deixa o país é como um tiro no peito do torcedor, que vê as chances de seu time ganhar o campeonato ir pelo ralo com o desmanche da equipe.

Torcedor que é torcedor tem aversão à janela de agosto. Sempre que este mês se aproxima no calendário futebolístico, o apaixonado por futebol sente que seu time, até então na ponta da tabela, pode despencar. Qualidade virou símbolo de desmanche. Das equipes com chances reais de disputar o título do Brasileiro deste ano, todas podem ser desmanteladas em agosto. O Internacional pode perder de três a quatro jogadores (Nilmar, D’Alessandro, Guiñazú e Taison), o Cruzeiro três (Kleber, Ramirez e Wellington Paulista). O Palmeiras também três (Diego Souza, Cleiton Xavier e Keirrison). Com as possíveis vendas destes jogadores não tem como o torcedor não ficar preocupado. Um campeonato que estava fácil de ser conquistado, pode se tornar muito mais árduo depois de agosto. Então, pra longe com os dólares e petrodólares, pois brasileiro gosta de espetáculo e quer ver futebol de qualidade nos gramados do país.

sábado, 6 de junho de 2009

O tiro de Babel

Um tiro. Assim podemos começar a resumir Babel. A adaptação cinematográfica do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu consegue, com maestria, unir quatro histórias numa série de eventos desencadeados por um único tiro. Tudo começa com a compra de um rifle por Abdullah no Marrocos. A arma era para ser usada para caçar cabras por seus filhos. Ao invés disso, Yussef e Ahmed resolvem testar o alcance do rifle. Do alto da montanha vêem um ônibus. E o usam como mira. O tiro acerta em cheio o pescoço da americana Susan Jones, que está com seu marido Richard em uma viagem de férias.

Do outro lado do mundo, na América, Amelia, a babá mexicana dos filhos de Richard, precisa ir ao casamento de seu filho. Mas o acidente surge como um empecilho. Ele liga do Marrocos e conta que sua esposa havia levado um tiro. Ela teria de cuidar das crianças até que ele voltasse. Amelia não deveria ir ao casamento de seu filho no México. Mas Amelia precisava ir. Para isso, levou as duas crianças para o casório.

Enquanto isso, no Japão, Yasujiro é um poderoso empresário que perdeu a esposa em um suicídio ocorrido recentemente. Tem uma filha surda-muda, Cheiko, que vive a ânsia de uma jovem adolescente que se sente rejeitada por nunca ter transado. É dele a arma usada pelos garotos marroquinos.

É em meio a estas quatro histórias distintas que Iñárritu cria uma trama em função de um tiro aparentemente aleatório, mas que muda a vida destas quatro famílias. Em Babel, há de tudo, desde a paranóia antiterrorista até a desesperada luta dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, que buscam uma vida melhor.

Analisando a filmagem, a decupagem de direção é ótima. Iñárritu consegue dar harmonia ao filme. As cenas, que ocorrem em tempos diferentes, são organizadas de tal forma e precisão que, o espectador não se perde na sua atemporalidade. Ao contrário, é possível lembrar-se da cena que ocorreu no início do filme para Amelia. Mas que, para Richard, acontece no final. Outro ponto interessante é a utilização dos planos. Em diversas cenas, como na do tiro ou na fuga da fronteira mexicana, os planos abertos, com trocas constantes para os planos fechados dão um tom de dramaticidade.

Babel é um filme com unidade. Apesar de serem quatro histórias distintas, com cultura e língua diferentes, é possível notar que as coisas combinam. A poeira do México. A pobreza do Marrocos. A vida rica na América. Tudo isso é um contraste difícil de quantificar numa filmagem. O fazer de forma orquestrada então, nem se fala. E foi isso que Iñárritu conseguiu: unidade. Babel é um filme que se encaixa. Desde a primeira cena, até o desfecho feliz, tudo ocorre de forma harmoniosa cinematograficamente.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um encontro de gigantes

Uma entrevista histórica. Assim podemos começar a definir Frost/Nixon. A adaptação retrata o duelo entre o apresentador de TV britânico David Frost e um dos mais importantes ex-presidentes da história dos EUA, Richard Nixon. O interessante é que Nixon receberia US$ 600 mil para realizar esta que seria a primeira entrevista após a renúncia e o caso Watergate. Detalhe: sem regras. Frost poderia perguntar o que quisesse. A única coisa que ficou pré-estabelecida foram as temáticas e o respectivo espaço que teriam.

Frost/Nixon teve duas vertentes. De um lado, o orador Richard Nixon, acostumado com a manipulação das entrevistas. De outro Frost, pouco habituado aos malabarismos políticos, mas um exímio apresentador. Com certeza, um encontro de gigantes da mídia e da política. Nos primeiros dias, Nixon não deu chance para Frost. Desvirtuou todas as perguntas com uma longa resposta. Frost percebia isto. Aos poucos o apresentador foi tentando ganhar terreno, mas Nixon habilmente o contrapunha. Foi somente aos 47 do segundo tempo que Frost conseguiu vencer Nixon e o fez confessar diante das câmeras toda a podridão do polêmico caso Watergate.

De saldo, fica o exemplo para todo o jornalista sobre a forma obstinada com que Frost, vendo a queda eminente, se enfiou de cabeça no assunto. O curioso é que foi somente após um telefonema de Nixon, altas horas da noite, que ele percebeu quem era seu adversário. Era David contra Golias. Frost tinha de estar preparado. E foi o que ele fez. Analisou cada centímetro de matéria, minuto de áudio. Revirou e encontrou detalhes que estavam à disposição de todos, mas que ninguém havia percebido. Foi neste momento que Frost virou o jogo que culminou na imagem que o mundo inteiro viu: a face funesta de Nixon, rememorando seus fantasmas interiores.

sábado, 23 de maio de 2009

A aposta do marketing na paixão

A primeira lembrança que tenho de um jogo do Internacional é de 1992, ano em que conquistou a Copa do Brasil. Recordo como se fosse hoje das partidas finais contra o Fluminense: derrota por 2 a 1 no Maracanã e vitória no Beira-Rio por 1 a 0. Dos jogadores, lembro do gato Fernandez, do Pinga, do Caíco e do Célio Silva, que fez o gol do título, aos 41 minutos do segundo tempo. Um foguetaço no meio. Gol é sempre gol. Como comemorei.

O restante da década foi sofrido. O torcedor via seu arquirrival levantar títulos enquanto o colorado não seguia o mesmo ritmo. Vieram os anos 2000 e o clube se reestruturou. Começou a apostar nas categorias de base e a revelar talentos. Em 2006, a glória. O colorado ganhava a Libertadores, o Mundial e, em 2007 a Recopa. A tríplice coroa era do Inter. Em 2008, a conquista inédita da Copa Sul-Americana. O Internacional se tornava Campeão de Tudo. Começava a campanha do Marketing para o Centenário.

Ao completar 100 anos, o clube fundado pelos irmãos Poppe se tornou uma referência. A campanha desenvolvida pelo marketing mais do que dobrou o número de sócios, ultrapassando a barreira dos 83 mil. A campanha baseada na paixão tornou o Inter o clube com mais sócios na América. Ao que se deve esse crescimento? Somente à paixão do torcedor? Fosse apenas isso, o Flamengo já teria passado dos 100 mil há décadas. É disparado o clube mais endeusado pela mídia nacional. O que realmente faz a diferença é o trabalho de marketing implantado no Inter. E claro, os resultados em campo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A família Brasil na TV

Os amantes das divertidas tiras de Luis Fernando Veríssimo, As Aventuras da Família Brasil, receberão um presente especial em maio. A Casa de Cinema de Porto Alegre está adaptando para a telinha as histórias da Mãe, do Pai, da Filha, do Boca, do Filho e do Neto, que nos acostumamos a ler todos os domingos na coluna do escritor publicada em Zero Hora. Esta será a nova produção do Núcleo de Especiais da RBS TV e será exibida aos sábados.
No elenco que dará vida a esta divertidíssima peripécia estão os atores Nadya Mendes (Mãe), Beto Mônaco (Pai), Miriã Possani (Filha), Felipe de Paula (Boca), Samuel Reginatto (Filho) e Arthur Quadros (Neto). Os roteiros são de Daniel Laimer, Luis Mario Jobim Fontoura, Márcia Pavek e Moisés Westphalen, sob a coordenação de Giba Assis Brasil. A direção é de Márcio Schoenardie. Gilberto Perin é o diretor geral, com coordenação de produção de Nice Sordi.
As Aventuras da Família Brasil estreia em 23 de maio, às 12h20min, com o episódio Problema doméstico. A irreverência continua na sequência com os episódios Vovô e a Disney (30 de maio), Ensaiando no Escuro (6 de junho) e O Cheiro do Bafo (13 de junho).

Música pra todos os gostos
A segunda edição do Atlântida Festival acontece dia 8 de maio, no Parque de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. É uma ótima oportunidade para os amantes da boa música. Os ingressos custam 30 (pista) e 80 reais (VIP). A diversão fica por conta de Capital Inicial, Armandinho, NXZero, Charlie Brown Jr., Reação em Cadeia, Claus e Vanessa, Fresno e Strike.

O surgimento de um mito
A tão aguardada primeira parte da narrativa que conta a história de um dos maiores revolucionários da América Latina estreou nesta sexta-feira nos cinemas da Capital. Intitulado Che – O Argentino, o filme mostra a época em que Ernesto Che Guevara deixa o México rumo a Cuba para ajudar Fidel Castro na tentativa de derrubar o governo de Fulgêncio Batista, implantando a Revolução Comunista na ilha. É uma ótima oportunidade para acompanhar o trabalho de Benício Del Toro.

Dica de leitura
Uma boa opção de livro em tempos surto de notícias de corrupção e utilização ilícita de bens públicos é o romance de José Saramago, Ensaio sobre a lucidez (2004). A história se passa num país imaginário onde, ao término das apurações de uma eleição, descobre-se que houve um grande número de votos em branco. A ‘epidemia branca’, como é definida, provoca uma série de questionamentos sobre o sistema político e as instituições que nos governam.
A publicação faz dualidade com o fenômeno Ensaio sobre a Cegueira, publicado em 1995. Com 328 páginas, Ensaio sobre a lucidez pode ser adquirido por 47 reais.

O Rappa na Capital
Depois de um giro pela Europa, onde tocou em Londres, Barcelona e Paris, uma das mais cultuadas bandas da música brasileira desembarca em Porto Alegre. Comandados por Falcão, o Rappa apresenta os singles do álbum ‘7 Vezes’ no dia 6 de maio, no bar Opinião. Os ingressos oscilam entre 40 e 60 reais.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pela liberdade de expressão

A Ditadura Militar foi um dos processos mais polêmicos e restritivos da história do Brasil. Toda e qualquer tipo de liberdade de imprensa fora proibida. Os veículos de comunicação não tinham mais o direito de expressar suas opiniões contrárias ao governo. Uma severa censura, que teve seu ápice com o Ato Institucional nº 5, publicado em 13 de dezembro de 1968, tratou de limar das redações todos os jornalistas contrários ao Regime Militar.

A Ditadura já não vigora há mais de duas décadas. Neste período o jornalismo se firmou como profissão, ganhou ares de universidade, com cursos de graduação espalhados por todo o Brasil.
Mas o final da primeira década do Século XXI reserva um novo embate para os profissionais da comunicação: a luta pela manutenção da obrigatoriedade do diploma. Desde o ano passado tramita no Supremo Tribunal Federal – STF uma ação impetrada pelo PDT que pede a revogação da Lei de Imprensa, bem como a ação do Ministério Público Federal para extinguir a obrigatoriedade do diploma.

Um novo capítulo desta novela aconteceu no dia 1º de abril quando, o STF adiou novamente a decisão sobre o Recurso Extraordinário RE 511961, que trata sobre a obrigatoriedade do diploma, bem como o julgamento da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130 que é contra a Extinção da Lei de Imprensa, em vigor desde 1967.

A polêmica está instaurada. É obrigação do profissional de jornalismo ter que cursar uma universidade por quatro anos, recebendo todo o preparo para ser um interlocutor entre a notícia e a população? Ou será que qualquer cidadão que saiba escrever razoavelmente pode também ser jornalista?

A formação está na essência de qualquer profissão. É dever de qualquer cidadão que almeja alguma ocupação estudar. Neste quesito, um médico que não cursou uma universidade está apto a realizar uma cirurgia? Qual o critério que ele iria utilizar para abrir o tórax de um paciente numa sala cirúrgica? Ele seguiria os procedimentos necessários para realizar uma correta incisão?

No jornalismo não é diferente. Apesar de o profissional não estar tratando diretamente com a vida de uma pessoa, a informação é vital para o andamento da sociedade. Para tal, o jornalista precisa estar preparado. A formação acadêmica desempenha um importante papel neste processo. É ela quem prepara o profissional, para que ele atue de forma ética e concisa. Sem contar no conhecimento adquirido. A técnica é indispensável no processo de construção do jornalista. E isto se aprende nos bancos da universidade e como tal, deve ser reconhecida como qualquer profissão. Diga sim ao diploma.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Fim da linha

Elementos como areia, barrilha, calcário, bem como outros produtos passam por um importante processo químico, aquecidos a uma temperatura média de 1500ºC. Como resultado, obtém-se o que chamamos massa de vidro, que é reduzida à 900ºC e passa por uma máquina que produz a embalagem. Ao final deste processo, obtemos o copo de vidro, que utilizamos para, entre outras coisas, beber a tradicional cervejinha na birosca da esquina.

Um copo de vidro quebrado. Assim podemos começar a definir a história real contada por Bruno Barreto no filme Última Parada 174. A trama tem como palco o Rio de Janeiro. Em cena, duas histórias que se cruzam: a de Sandro e de Alessandro. Dois garotos suburbanos. Alessandro, um bebê retirado da mãe, então viciada em drogas, quando criança. O outro, Sandro, é filho de uma dona de bar. Aos dez anos, encontra a mãe morta na birosca, após um assalto. A cena que marca a tragédia é a de um copo que se quebra, quando o rapaz entra no bar.

As duas histórias se cruzam. Os dois viram garotos de rua. Passam a praticar pequenos delitos, pedir esmolas. O uso de drogas acaba sendo um fato comum na vida deles. E como conseqüência, ambos acabam na cadeia, onde se tornam amigos.

Última Parada 174 é o retrato de uma sociedade conturbada onde a lei, nem sempre é para todos. E as escolhas refletem diretamente no meio que vivemos. O desfecho acontece no ônibus da linha 174, que deu origem ao título do filme. Na vida real, o desfecho brutal acontece em junho de 2000 onde, Sandro assalta um ônibus e passa horas com reféns dentro do veículo. Transmitido em rede de TV nacional, o desfecho é tão previsível quanto insólito: a morte de Sandro, baleado pelos policiais cariocas.

No filme, Bruno Barreto retrata o lado humano do rapaz. Um garoto de origem humilde, vítima de uma sociedade discriminatória. Ele queria nada menos que atenção. Ser escutado. Ter uma oportunidade. E como sempre, mostra o outro lado da polícia, que atira primeiro, para depois perguntar. Se o copo de vidro não tivesse quebrado talvez Sandro tivesse tido uma vida diferente, com oportunidades.

sábado, 14 de março de 2009

Investimentos em meio à crise


Depois de passar os primeiros dois anos de governo com investimento zero, a fim de promover o ajuste fiscal necessário para zerar o déficit do Estado, a governadora Yeda Crusius começou a apresentar a cartilha de investimentos. Durante a abertura do Tá na Mesa do ano de 2009, no Palácio do Comércio, realizado na quarta-feira (11), a governadora divulgou as estratégias dos 26 meses de governo, marcados por mudanças estruturais na máquina do Estado. "Zerar o déficit foi condição para o Rio Grande do Sul obter um padrão necessário de desenvolvimento sustentado e continuado, com inserção internacional", afirmou.

Com o déficit zerado, o Estado vai sofrer menos com a crise econômica mundial. Além de estar com as contas públicas em dia, o governo pretende investir este ano R$ 3,24 bilhões. A ideia, com os investimentos, é incentivar a criação de 80 mil empregos em 2009.


Ao pagar suas dívidas, o Estado transformou cobradores em parceiros. O ministro dos Transportes, Obras Públicas e Manejo da Água da Holanda, Camiel Eurlings, que visitou o RS, há poucos dias, disse que o Rio Grande do Sul é o primeiro Estado do Brasil para receber investimentos de seu país. Do Banco Mundial (Bird), o governo gaúcho obteve, em 2008, financiamento de US$ 1,1 bilhão para reestruturação da dívida pública. O reflexo desta nova fase que passa o governo Yeda já pode ser sentido na prática. Recentemente a governadora anunciou a entrega de 18 viaturas para equipar a polícia no Litoral. Imbé recebeu um veículo, que será utilizado pela Brigada Militar. Outro ato foi a entrega do projeto da Rede de Esgoto Cloacal para a cidade.


Calendário de eventos

O saldo da Temporada Verão 2009 foi positivo em Imbé. Diversos shows agitaram a orla. O Imbé Folia, promovido pela prefeitura em parceria com o SBT foi a alegria dos foliões. Milhares de pessoas pularam nas quatro noites de Carnaval. Foi um elogiável trabalho do Secretário de Turismo e Desporto, Fabrício Rebechi.


Passado o frisson carnavalesco, a praia ‘volta a ser nossa’, como diz aquele ditado. Com o fim da Temporada, as ruas tornam a ficar tranquilas e as filas de espera no supermercado terminam. Mas o início da baixa temporada não é sinônimo de esquecimento. A promessa do Turismo é manter Imbé com uma intensa programação de inverno. E para tal, é preciso que se implante o tão falado “Calendário de Eventos”. Mas não só a realização de shows. É preciso promover feiras, eventos e atrações culturais, bem como esportivas. Somente assim é que conseguiremos atrair os turistas na baixa temporada.


Por enquanto o que se sabe é que o Turismo está preparando uma grande edição da Festa da Anchova. Apesar de não ter sido realizada em 2008, a festa tem tudo, pelo que se fala, para ser um sucesso.


Agência do FGTAS/Sine em Imbé
Foi confirmada nesta terça-feira (10), pela diretora técnica da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Erli Terezinha dos Santos, a instalação de uma agência FGTAS/Sine em Imbé. A proposta de cooperação técnica já havia sido feita no mês passado pelo prefeito Darcy Luciano Dias ao presidente da FGTAS, Ronaldo Nogueira de Oliveira.

A nova agência vai ser um canal para a população encaminhar seguro-desemprego, bem como de auxiliar na qualificação profissional, intermediação de empregos, confecção de carteiras de trabalho e previdência social, do Procon e da Casa do Artesão.
________________
* Públicado no em pauta desta semana no Jornal O Boto.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A volta do fenômeno


Poucos jogadores na historia do futebol mundial tiveram uma carreira tão atribulada quanto à de Ronaldo Nazário. O ‘fenômeno’ já viveu a glória e o inferno no universo futebolístico e midiático. Ganhou todos os títulos que podia almejar. Mas também conheceu o lado negro da profissão: sucessivas lesões graves afastaram-no por longos períodos dos gramados. Mas Ronaldo sempre retornou. E a cada regresso mostrava para o mundo todo o seu poder de superação. Mesmo quando muitos já o condenavam para o futebol.

Nos últimos tempos Ronaldo só tem sido notícia por escândalos com travestis ou bebedeiras extravagantes. Era dada como certa sua aposentadoria, aos 32 anos. E não é que o fenômeno resolveu dar a volta por cima novamente. Muito acima do peso ele assinou contrato com o Corinthians no início do ano. Queria provar ao mundo que conseguiria retornar o bom futebol.

Ronaldo treinou, treinou, treinou. Como há muito tempo não fazia. Retornou na última semana, em jogo pela Copa do Brasil. Nos poucos minutos que esteve em campo ensaiou dribles, deu passes, arrematou a gol.

Ontem, ele esteve em campo pela segunda vez. E num clássico: Corinthians X Palmeiras. Entrou aos 18 min do segundo tempo, quando o Timão perdia por 1 a 0. E não decepcionou, provando que tem estrela. Aos 47 min empatou de cabeça. Foi seu primeiro gol após o novo retorno.

Ronaldo ainda está bem acima do peso ideal. Mas provou que é mesmo um jogador diferencial. Além do gol, ainda acertou uma bola na trave e deu boas assistências. Dedicado e com vontade de jogar, Ronaldo prova mais uma vez para o mundo que é um vencedor. E de fato o é.

Muitos já começam a pensar numa hipótese impensável um ano atrás. Ronaldo voltando à forma se candidata a mais uma Copa do Mundo? Ou você tem dúvida que caso ele consiga voltar a jogar em alto nível o fenômeno não é titular da camisa 9 da seleção? Existe alguém melhor que ele no momento? Façam suas apostas.

O retorno triunfal tomou ares de mídia. E tão badalada como sua volta, é o destaque dado ao gol de Ronaldo. Ele foi notícia no mundo inteiro, provando que é um fenômeno não só no campo, mas da mídia.

sábado, 7 de março de 2009

Entregue projeto do Esgoto Cloacal


Há muitos anos discute-se em Imbé sobre a necessidade ou não do esgoto cloacal. O tema esteve em debate ao longo das audiências públicas realizadas durante a elaboração do Plano Diretor da cidade. Na época, recordo que houve muita polêmica, principalmente por parte da Associação do Braço Morto que não queria que o esgoto cloacal fizesse parte das discussões. O pensamento era que, executada a obra, nada impediria que prédios fossem construídos em Imbé. A associação temia, o que para eles, era o fim da cidade descanso que tinham.
Ocorre que o Plano Diretor, que chegou a ser alvo de ação judicial, foi aprovado e já está em vigor há alguns anos. Ele prevê que a construção de prédios em áreas pré-determinadas só podem ser executadas caso seja feita a obra de esgoto cloacal. E claro, só em áreas comerciais. Destacam-se a Avenida Rio Grande e trechos da Avenida Paraguassú.
No último sábado (28), a governadora Yeda Crusius esteve em Imbé para dar este que é o primeiro passo para o início das obras do esgoto cloacal. Na ocasião, entregou ao prefeito Darcy Luciano Dias o projeto do esgoto sanitário de Imbé. O estudo custou R$ 177 mil para os cofres do governo do Estado. Nele, está previsto a extensão de redes coletoras de esgotos sanitários em toda a área urbana de Imbé, até o ano 2039. O projeto inclui também a construção de uma Estação de Tratamento de Esgotos com capacidade final de 257 litros por segundo com investimentos da ordem de R$ 70 milhões.
Agora é arregaçar as mangas e começar a trabalhar na captação dos recursos para executar esta tão importante obra.

Agência da CEEE em Imbé
O prefeito Darcy Luciano Dias e o secretário de Infraestrutura e Desenvolvimento, José Pedro Barbosa estiveram na última segunda-feira (2), no escritório central da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em Porto Alegre. Na ocasião conversaram com o diretor de Distribuição do grupo, Ricardo Sele da Silva sobre a instalação de uma agência da CEEE em Imbé.
Se confirmada, a reabertura da agência CEEE vai resolver um transtorno antigo pelo qual passam os moradores. Eles precisam deslocar-se à agência em Tramandaí para obter os serviços de atendimentos que deveriam ser executados dentro da própria cidade. Durante o verão, o caos se instala, uma vez que a agência de Tramandaí concentra moradores e veranistas das duas cidades, ocasionando um grande tempo de espera para o atendimento.

Novos ônibus para o transporte universitário
A prefeitura de Imbé adquiriu três ônibus semi-novos Mercedes-Bens, ano 98, modelo UHL, para a realização do transporte para os estudantes universitários. Os veículos serão utilizados principalmente para o transporte de alunos das universidades da Ulbra (Canoas e Torres), Unisinos (São Leopoldo) e Facos (Osório).
Conforme informações do secretário de Transportes, Nilton Brandalesi, os ônibus custaram R$ 55 mil cada. Com a medida, a prefeitura pretende economizar anualmente cerca de R$ 200 mil, valor médio gasto em anos anteriores com a contratação de empresas privadas para realizar o transporte universitário. Só espero que a redução dos custos seja compensada com qualidade do serviço prestado, mantendo um nível satisfatório na prestação do transporte universitário.
_________________
* Publicado no Em Pauta desta semana no Jornal O Boto.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Tucanos em debate


Imbé foi palco do primeiro encontro regional do PSDB-RS, no último sábado (14). O evento aconteceu no Hotel Fazenda Três Figueiras. Na ocasião, os tucanos debateram sobre os rumos do partido e os Programas Estruturantes do governo Yeda Crusius.
Para o prefeito de Imbé, Darcy Dias, o fortalecimento do partido deve-se ao trabalho da militância, que foi para a rua e vestiu a camiseta.
Já o deputado estadual Nelson Marchezan Júnior falou que o progresso e o avanço no setor público brasileiro foram feitos sempre através de governos do PSDB. Ressaltou ainda a importância do ajuste fiscal feito pelo governo Yeda, o que tornou possível a retomada de investimentos no Estado.
Diversos tucanos de renome estadual estiveram presentes, dentre os nomes que ocuparam a tribuna estavam os secretários da Educação, Mariza Abreu e de Obras Públicas, José Carlos Breda, o chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, os deputados estaduais Coffy Rodrigues e Nelson Marchezan Júnior, os deputados federais Cláudio Diaz e Ruy Pauletti e o presidente da Juventude do PSDB, Lucas Redecker.

Viatura para a Bigada Militar
Nas próximas semanas Imbé deverá receber uma viatura para uso da Brigada Militar. A notícia foi divulgada na segunda-feira (16), pela governadora Yeda Crusius, durante encontro com o prefeito Darcy Luciano Dias no Palácio Piratini, em Porto Alegre.
O aparelhamento da BM de Imbé é uma reivindicação antiga da comunidade local. Vem de encontro com a necessidade de dar maior aparato à Brigada para que ela possa desenvolver com precisão seu trabalho, que é zelar pela segurança pública.
O fato curioso é que Imbé não constava na relação dos municípios das mais de 200 viaturas que serão distribuídas pelo governo do Estado. A inclusão da cidade é mérito do prefeito Darcy, que ao tomar conhecimento do fato, tratou de tomar providencias: “Quando fiquei sabendo que o município não iria receber uma viatura sequer, entrei logo em contato com a governadora que, de imediato, garantiu um carro para a nossa Brigada”.

Viagem à Brasília
O prefeito Darcy Luciano Dias, em companhia dos secretários de Infraestrutura e Desenvolvimento, José Barbosa, da Comunicação, Roni Nilson e da Educação, Onério Scheffer, estiveram na última semana em Brasília. Na ocasião encaminharam diversos projetos nos ministérios. O valor total apresentado foi de R$ 3,7 milhões.
Os projetos são fruto do trabalho desenvolvido pela recém criada Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento, através da Central de Projetos.
Além dos projetos encaminhados, a delegação conseguiu "alocar" emenda parlamentar para infraestrutura, com o deputado federal Ruy Pauletti (PSDB). O deputado federal Nelson Proença (PPS), em nome da amizade que tem com Barbosa, destinou recursos para a área do esporte.

Mais de 4 mil
O mês de fevereiro mal começou e a contagem dos atendimentos já é grande. Só na primeira semana, entre os dias 2 e 8 de fevereiro, os postos de saúde de Imbé realizaram 4.213 atendimentos, conforme levantamento feito pela Secretaria da Saúde.
O Posto 24H é o campeão de atendimentos, com 2.581 consultas realizadas. Apesar da quantidade, a Secretaria de Saúde de Imbé, Nelsa Dias, afirmou que o município está preparado para suprir o aumento nos atendimentos.

_____________
*Publicado na minha coluna 'em pauta' no jornal O Boto desta semana.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Problema crescente

Já faz algum tempo que sabemos que o bairro Agual, em Tramandaí, é uma bomba-relógio prestes a explodir. A falta políticas públicas direcionadas a resolver os problemas da Vila faz com que cresçam os índices de criminalidade na região. No Agual, é comum ver terrenos alagados onde proliferam baratas e bichos-de-pé, ruas esburacadas e de chão batido. Muitos moradores não tem água nem luz. Outros tantos, só conseguem usufruir desta necessidade básica através de ‘gatos’ de água ou luz. Culpa de quem? Dos cidadãos, que procuram viver com mais dignidade? Ou do poder público, que não chega onde deveria estar presente desde a criação do bairro, afinal é seu dever como responsável pelo povo?
A divulgação dos dados criminais de 2008 apontou outro problema, de igual gravidade, no bairro Agual. Dos 12 homicídios registrados ano passado em Tramandaí, 10 ocorreram naquela redondeza. O crack é responsável direto em oito dos 10 assassinatos.
Mais do que um problema, o tráfico está diretamente relacionado às condições sub-humanas em que estas pessoas vivem. De nada adianta a polícia agir, prendendo bandidos, fazendo vistorias, se outros problemas não forem resolvidos. É preciso que o poder público local tome medidas drásticas no que diz respeito à saúde, educação, segurança e trabalho. Pois o problema está na base, nos serviços que o município deveria prestar e não o faz. Enquanto isso, perdem as pessoas, que não tem trabalho, as crianças, que não tem educação. Só quem ganha nesta guerra é o crime.

Encontro do PSDB
Imbé recebe neste sábado o Encontro Regional do PSDB, que será realizado a partir das 9h no Hotel Fazenda Três Figueiras. No encontro será discutido o cenário político nacional e estadual do PSDB e as estratégias do partido no Estado.
A governadora Yeda Crusius fará o encerramento do evento, que vai contar com a presença de deputados estaduais e federais do PSDB. O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior, que concorreu a prefeito de Porto Alegre no último pleito também participará das discussões partidárias.


Buscando recursos
Uma comitiva imbeense viajou esta semana à Brasília para buscar recursos federais para melhorias no município. Comandada pelo prefeito Darcy, o cortejo visitou os Ministérios do Turismo, Esporte, Ação Social, Habitação, Educação e Cultura. Encaminharam 16 projetos de melhorias para Imbé. Dentre eles estão o projeto para a reforma do ginásio de esportes Engenheiro Floreal Sala, o projeto de energias sustentáveis e a construção do marco comemorativo ao centenário da Capela de Nossa Senhora dos Navegantes (R$ 53.176,701) e outro para a construção de três praças recreativas no valor total de R$ 36 mil.

Pelo direito à educação
O município de Imbé firmou convenio com a Faculdade Cenecista de Osório – Facos para o oferecimento de vagas nas licenciaturas ministradas pela instituição de ensino. O convenio prevê o ofertamento de bolsas de estudo de 50% aos alunos cuja renda familiar não exceda a um salário mínimo. O município subsidiará os 50% restantes, pagando estes valores mensalmente a instituição.



Ponte em debate
Um reunião entre as equipes técnicas dos governos de Imbé e Tramandaí deu início as tratativas para a contrução de uma nova ponte sobre o Rio Tramandaí. Na ocasião, Darcy e Anderson Hoffmeister definiram que a ponte será para uso de pedestres, com extensão de 160 metros e três metros de largura, ao contrário do projeto anterior que previa apenas 1,5 metros de largura.
Também foram definidas novas ações sobre o projeto arquitetônico. A obra será construída no mesmo local da antiga Ponte da Sardinha.

______________________
* Texto publicado na minha coluna no Jornal O Boto desta semana.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

PAC a todo o vapor


O governo federal anunciou um acréscimo de R$ 142 bilhões nos investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A quantia representa um aumento de mais de 20% nos já destinados R$ 504 bi.
O Rio Grande do Sul deve ser beneficiado com recursos para três estradas, além de estudos sobre a viabilidade de uma segunda ponte sobre o Guaíba, em Porto Alegre. O plano ainda deve abranger a ampliação da linha do Trensurb, agregando Novo Hamburgo ao trajeto já existente.
Oficialmente os novos recursos são uma alternativa à crise econômica mundial e aos números da produção industrial brasileira de dezembro, que registraram uma queda de 14,5%. No entanto, o novo PAC é a primeira tacada do governo Lula visando o próximo pleito, que deve ter como candidata governista à presidencia da República, a portadora da mensagem do acréscimo de recursos, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Só espero que não ocorra com o novo PAC o que aconteceu com o anterior onde, a maioria das tão anunciadas obras não foi concluída.

5ª Feira do Livro
Aberta oficialmente nesta sexta-feira (06), 5ª edição da Feira do Livro de Imbé é uma ótima oportunidada para os amantes da literatura. É um espaço para encontrar livros a bons preços, acompanhar bate-papo com escritores e assistir a atrações musicais e performances poéticas.

Internet para todos
Elogiável a iniciativa do vereador Clairton Alves (PTB) que apresentou um anteprojeto de Lei criando o Programa Municipal de Internet Livre. O projeto foi encaminhado ao Executivo para ser transformado em Lei. Os detentores de provedores de acesso à internet certamente vão chiar caso a Lei seja sancionada pelo prefeito Darcy. Contudo, Imbé será pioneiro no Litoral na disponibilização do acesso gratuito da internet para seus moradores. A oferta grátis deste serviço vai beneficiar centenas de famílias que hoje não possuem recursos para pagar um serviço pago de internet. A inclusão digital é uma das melhores formas de incentivar a educação de um povo.

Faculdade em Imbé
A prefeitura deu início às tratativas para trazer para o município uma extensão da Faculdade Monteiro Lobato. Cursos como Administração, Hotelaria, Direito, Técnico em Gestão Ambiental e Técnico em Enfermagem poderão ser oferecidos. Se concretizada a parceria, será mais uma oportunidade de curso superior dentro da cidade, evitando que os estudantes tenham que percorrer longas distâncias para estudar.

Passarelas
A falta de acesso à beira-mar nos balneários de Imbé é um problema conhecido há bastante tempo. Os banhistas precisam passar por sobre as dunas para poder banhar-se no mar. Um melhor acesso nestes trechos é uma necessidade.
Pensando em resolver o problema, o secretário de Planejamento de Imbé, Osmar Junior, se reuniu com o secretário estadual interino do Meio Ambiente, Francisco Luiz da Rocha. Na ocasião trataram sobre a possiblidade de disponibilização de recursos para a construção de passarelas sobre as dunas, para facilitar o ingresso dos veranistas e moradores à orla.
_________
*Publicado na minha coluna de opinião do Jornal O Boto desta semana.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Transporte universitário garantido

O inicio de um novo ano sempre foi motivo de espectativas e esperanças para as pessoas. Contudo, para os universitarios de Imbé o início do semestre nos últimos tempos, era visto com euforia. Ao contrário, era observado com incerteza. Nunca sabíamos se os universitarios teriam ou não a manutenção do transporte escolar gratuito para Osório, Torres, Canoas e São Leopoldo.

Lembro que em 2005, quando ainda fazia parte da diretoria da Associação dos Estudantes do Municipio de Imbé (AESMI), o impasse estendeu-se até as vésperas do início das aulas. A licitação ocorreu somente no início de janeiro daquele ano. Na ocasião, a AESMI teve de arcar com o transporte nos 12 primeiros dias, ocasionando uma despesa de R$ 5.760,00.

Antes, porém, muita luta precisou ser travada internamente para a garantia do transporte. A AESMI teve de fazer uso de seu direito como representante dos estudantes, sempre através do diálogo, para garantir a manutenção da gratuidade para o transporte universitário.

O então Secretário de Transportes e Trânsito, Helio Puppo, não pretendia continuar com a integralidade oferecida pela prefeitura municipal. Pensava em fazer um repasse parcial, estipulando um valor específico para cada eixo, ficando o restante a cargo do aluno. Recordo que os valores estipulados em um projeto de Lei que não chegou a ser assinado, seriam de R$ 8,00 para os estudantes de Canoas/São Leopoldo, R$ 6,00 para os de Torres e R$ 4,00 para os alunos da UERGS, em Cidreira.

Mas por ocasião do esforço da AESMI e da devolução de recursos da Câmara de Vereadores aos cofres do Executivo feitos pelo então presidente José Barbosa, foi possível que os estudantes viajassem sem precisar arcar com o transporte para suas respectivas universidades. Na época, valor custeou 50% do transporte universitário durante os dois semestres. A outra metade foi paga pela prefeitura.

A mesma novela se estendeu nos anos que se seguiram, sempre com a AESMI desempenhando um importante papel no diálogo com o Executivo na busca da manutenção da gratuidade do transporte universitário. O esforço só cessou ano passado, quando o transporte foi licitado (com as devidas ressalvas, pois os problemas foram inúmeros na prestação do serviço por parte da empresa contratada durante todo o ano) sem a necessidade da ‘pressão’ da Associação. Talvez por ser um ano eleitoral, vai saber.

Parece, no entanto, que essa novela mexicana terá um final feliz em 2009. O Secretario de Transportes e Trânsito, Nilton Brandalesi, divulgou esta semana o início do cadastramento dos universitários para o primeiro semestre deste ano. A documentação deve ser entregue até o dia 10 de fevereiro na sede da secretaria. É a garantia do transporte gratuito para este ano, sem pressão. Finalmente!


______________
* Publicado na minha coluna de opinião do Jornal o Boto desta semana.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ensaio sobre prosa e poética


Semana passada eu participei de uma oficina de texto no Santander Cultural. Os encontros, realizados de terça a quinta-feira, tinham como proposta a elaboração de contos, baseados em lendas locais de Porto Alegre, bem como narrativas escritas por Gilberto Freyre, escritor homenageado pelo Santander Cultural.

Lembro que a primeira coisa que ouvi quando disse que iria fazer a oficina, direcionada aos jovens entre 15 e 18 anos, foi de que eu não aprenderia nada lá. Afinal, já passei faz algum tempo desta idade. Contudo, não foi o que ocorreu.

Para minha surpresa, a oficina não foi bem como eu pensava. O poeta Ronald, ministrante do curso, voltou seus olhares mais para seu chão, a poesia, fugindo da temática proposta. Foi com pesar que eu vi no primeiro dia tal mudança. Afinal, não sou uma pessoa que costuma ler muito poesia, apesar de gostar.

Mas com o decorrer das horas e dos ensinamentos, percebi que não foi ruim a escolha dele. Ao contrário. Foi ótima. Aprendi inúmeras coisas sobre prosa e poética que eu nem sonhava em conhecer.

Vejo com grandes olhos a oficina promovida pelo Santander Cultural. Confesso que sempre tive grandes dificuldades para escrever poesia. Nunca pensei que pudesse ter algum talento para tal gênero. Além disso, nunca li muito sobre o estilo. A oficina mostrou-me dotes bem interessantes. E quem diria, o Pedro também sabe fazer poesia. Foi somente um ensaio, mas uma idéia de que, com algumas leituras e um pouco de criatividade, também consigo escrever estro. Foi a descoberta de um dom que eu nem imaginava que tinha: fazer poesia. É, quem diria...

O ensaio foi feito com base na poesia de Gilberto Freyre, Senzala. Escolhi um trecho em especial. E, a partir dele, produzi meu próprio poema. Confira:

BAHIA
Bahia
Um dia voltarei com vagar ao teu seio brasileiro
Ao teu quente seio brasileiro
Julgando jamais ter deixado esta terra
Recordarei amores que não vivi
Lembrarei das mulatas que não beijei
Bahia
Um dia a esta terra voltarei
A bradar as belezas deste chão
Para em suas crenças me misturar
Sem deixar de padre por dentro ser
Mas recluso aos costumes locais
Ogum, Oxalá, Iemanjá
Bahia
Ogum, Oxalá, Iemanjá
É nas águas de suas praias
Que eu ei de me banhar
E em seus vagarosos coqueiros
Que uma rede ei de armar
Bahia
Ogum, Oxalá, Iemanjá

sábado, 24 de janeiro de 2009

A América negra


A posse do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama foi um marco mundial. Os Estados Unidos, mais do que dar boas-vindas ao novo presidente, o fez pela primeira vez para um negro. Obama é o símbolo da renovação, da esperança norte-americana e mundial. E com ela, que a crise econômica cesse.
Uma das frases ditas por ele no discurso de posse merece destaque: “o mundo mudou, e precisamos mudar com ele”. Mudanças. Parece que o planeta está passando por um processo de renovação de valores e questões étnicas e raciais que décadas atrás parecia inviável. Ontem foi a Yeda, que se tornou a primeira governadora do Estado do Rio Grande do Sul. Hoje é o Obama. E amanhã, quem sabe o Brasil não terá também seu primeiro presidente negro. São novos tempos que vem por aí.

A onda é preservar
Consciência não tem idade. Pensando nisso, o departamento do Meio Ambiente de Imbé, em parceria com a ONG Integração e Cultura, está desenvolvendo o Projeto Maresias “A Onda é Preservar”. A iniciativa visa conscientizar os frequentadores da orla sobre a importância de não sujar a praia. Ao todo 20 crianças de 9 a 12 anos participam do projeto. Eles distribuem material informativo aos turistas com orientações sobre o meio ambiente e o bom uso da faixa de praia.

Frota sucateada
A política tem coisas que não dá pra digerir. Entra governo, sai governo e é sempre a mesma coisa. A tão elogiada frota renovada de veículos de Imbé parece que ficou em 2008. O que a nova administração encontrou foi bem diferente do que se bradava aos sete cantos da cidade. Na última segunda (19), um engenheiro mecânico credenciado pelo Daer, acompanhado do secretário de Transportes e Trânsito, Nilton Brandalesi, fez uma vistoria da frota municipal. Pasmem! O que constatou é que pelo menos 13 carros foram considerados sucatas, devendo ser leiloados, deixando o depósito da prefeitura em breve.

Sem aumento
O prefeito Darcy enviou ofício à Câmara Municipal de Imbé pedindo a retirada do projeto que concedia aumento aos secretários municipais. A justificativa apresentada foi a delicada situação financeira vivida pelo Executivo. Um dos motivos para o cancelamento do aumento foi a descoberta de um saldo de dívida com a CEEE na ordem de R$ 5,5 milhões.
__________________
* Texto publicado na minha coluna de opinião desta semana no Jornal O Boto

domingo, 18 de janeiro de 2009

Estreia

O jornal o Boto deste sábado (17), saiu com uma novidade. A página três ganhou um novo espaço de opinião. E casualmente eu é que estou escrevendo. É uma nova experiência, passando dos textos opinativos do meio digital no Portal 3 para, voltar ao campo impresso.

Com o título em pauta, a coluna de opinião vai ser mais temática, com enfoque principal para a política. Será, com certeza um desafio escrevê-la. Vejo com um certo friozinho na barriga até. Mas também é uma oportunidade de mostrar minhas idéias e praticar as peripécias da profissão. Vamos ver como me saio com o passar dos dias.

Confira a primeira edição da coluna:

Novos tempos
A partir desta semana passo a ocupar a página 3 do jornal O Boto com uma coluna de opinião. Serão tratados assuntos em pauta ao longo da semana sobre cultura, política e esporte. O enfoque principal é o litoral gaúcho, sem deixar de abordar fatos ocorridos a nível estadual e nacional.

Pensei em inúmeros temas para meu primeiro texto. Desde a Operação Verão até a posse dos novos prefeitos. Ao invés disso, resolvi iniciar falando de um assunto que andava meio esquecido em Imbé: o turismo. O ano de 2008 foi marcado por poucos eventos realizados pela Setur. Não bastasse, foi triste ver a beira-mar esquecida no réveillon 2009. Além da ausência de shows ou queima de fogos, as lâmpadas que iluminam o calçadão estavam apagadas. É uma pena que a troca de governos tenha impedido a realização de um belo evento. Para as milhares de pessoas que foram à orla esperançosas em ver alguma atração, além é claro de pular as tradicionais sete ondinhas, restou assistir os fogos ao longe, que iluminavam o céu de Tramandaí na chegada do novo ano.

Darcy elegeu-se prefeito com a promessa de investir no turismo. Uma semana após sua posse, a prefeitura promoveu seu primeiro evento: a Abertura do Verão 2008. Realizada na última sexta-feira, 10, com a banda Bonde do Forró, o evento contou com um grande público. A espera é que mais atividades ocorram ao longo da temporada.

Uma das propostas para o Turismo de Imbé é prolongar o veraneio, trazendo os turistas para cá fora depois de fevereiro. É o já batizado “Verão de Março”. Só nos resta aguardar o que vem por aí. E claro, esperar que seja criado o tão esperado calendário de eventos anual, com atrações e festividades durante o ano todo.

Feira do Livro
Uma ótima opção para o final de semana é apreciar a 8ª Feira do Livro de Tramandaí, que inicia neste sábado. Milhares de títulos estarão a venda com preços promocionais. Sem contar nas inúmeras atrações culturais como teatro, sessão de autógrafos e shows musicais. A Patrona desta edição é a escritora Elma Sant’ana.

Parece mentira...
Um levantamento realizado pela Secretaria de Saúde de Imbé encontrou nada menos do que 6.030 exames engavetados, a espera de uma solução. Na fila há 2.700 cirurgias e consultas não agendadas, além de 3.330 exames não efetuados. A soma é referente ao período entre janeiro de 2005 e dezembro de 2008. A recém empossada titular da Pasta da Saúde, Nelsa Dias, afirma que está buscando uma solução para o caso.
Parece mentira, mas é incrível o cidadão ter que aguardar até três anos para a realização de um exame ou cirurgia. Bom seria se a doença também esperasse tanto tempo para avançar.

Lixeiras
Desde segunda-feira quem vai à beira-mar de Imbé já tem onde depositar o lixo. Numa parceria entre prefeitura e quiosqueiros, foram instaladas seis lixeiras no Calçadão. A falta de recipientes na orla trazia sujeira à beira-mar e prejuízo aos quiosques, pois as pessoas acabavam depositando a sujeira no chão.

Participe
Ajude a elaborar o em pauta da próxima semana. Envie críticas ou sugestões para o e-mail pedro_barbosa@terra.com.br.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A síndrome do grito


Quem nunca teve uma grande expectativa quanto a um filme? Esperou semanas até que estivesse em cartaz num cinema perto de sua casa. Ou mesmo, precisou aguardar para alugar o título em DVD?

Esse anseio eu tive com o filme O Grito. Lembro que me falaram maravilhas sobre a produção. Os thrillers só indicavam que realmente era digno de ser assistido. Não tive a oportunidade de vê-lo no cinema, mas lembro que precisei aguardar umas três semanas depois de o título estar disponível na locadora. Criei grandes expectativas. Estava louco para ver O Grito.

Quando finalmente consegui reproduzir o filme em meu computador, a trama parecia me intrigar. Confesso que estava vidrado. Porém, nem todas as expectativas se confirmaram. Elas acabaram se tornando frustração. Quando terminou, tive vontade de quebrar meu monitor. Uma porcaria. Odiei o final. Fiquei me perguntando: “como eu esperei tanto tempo pra ver uma m... desta?”.

Consegui me controlar a tempo de não destruir o computador. Afinal, ele não tinha culpa do filme ser ruim. Desde então, tento não criar muitas expectativas quanto aos filmes. Apenas espero o momento que ele está em cartaz no cinema ou disponível no acervo da locadora.

Recentemente, foi lançado o longa-metragem Ensaio sobre a cegueira. Dirigido por Fernando Meirelles, a trama é baseada no livro do escritor português José Saramago. A crítica falou maravilhas da produção, que freqüentou os destaques das colunas de jornais por boas semanas. A cada comentário que lia sobre o Ensaio, mais vontade tinha de assistir ao título.

Creio que deva ter feito umas quatro tentativas frustradas de assisti-lo. Mas seguindo a lei de Murphy, sempre surgia um empecilho. Concluí que poderia estar sendo vítima da Síndrome do Grito. Parecia que não era pra eu ver. A vontade era tanta, que comecei a ter medo de frustrar-me novamente. Mas sábado, quase dois meses depois do seu lançamento, finalmente consegui ir ao cinema para assistir ao Ensaio sobre a cegueira. Ele ainda está em cartaz na Casa de Cultura Mário Quintana. Antes, porém, comentava na cafeteria como deveria ser bom o filme e quão ansioso eu estava em conferir de perto o trabalho de Meirelles.

O filme começa. Um surto de euforia e resignação toma conta de mim. A trama estava passando diante de meus olhos. Finalmente! Um homem está dirigindo um carro no meio do trânsito. De uma hora para outra ele perde a visão. Não consegue mais enxergar. O que vê: só uma substância leitosa, branca. O rapaz é encaminhado para um oftalmologista, que nada de errado encontra na sua visão. No outro dia, o médico também fica cego. A doença é contagiosa. A mulher do médico ainda consegue ver. Diz que não o abandonará.

A cegueira branca logo se espalha. Um a um, todos na cidade ficam cegos. É o caos. Os doentes são encaminhados para algum timo de hospital-prisão. Lá, não há médicos. Eles são os únicos responsáveis por sua sobrevivência. Só se entra. Não se sai. Quem infringir a regra leva bala.

No hospital, a única pessoa que pode ver é a mulher do médico. Com o passar dos dias, mais e mais pessoas vão chegando à quarentena. A comida começa a ficar escassa. Os grupos dividem-se em três alas. Na luta pela sobrevivência, é criada uma sociedade alternativa, com poderes paralelos.

Num caso destes, é melhor ver tudo o que está acontecendo? Ou será que é preferível ser cego, mas enxergar as coisas como realmente são? Com certeza Ensaio sobre a cegueira é um filme marcante. É uma produção que nos instiga a pensar muito sobre a vida.

Uma cena marcante, dentre inúmeras, foi a parte posterior à saída do grupo liderado pela mulher do hospital. Quando ela estava voltando à cafeteria onde haviam se instalado provisoriamente no caos da cidade, ela entra em uma igreja. Lá há um padre faz orações e fala às pessoas sobre as provas divinas. Ele cita Paulo, o apóstolo que teve sua fé posta à prova. Que Jesus o tinha cegado. Pensei comigo: “Fé. Era tudo uma questão de fé”.

Curiosamente, notei que os santos estavam todos com os olhos vendados. Teria sido para que também não pudessem ver? Por fim, no apartamento do médico, as coisas começam a voltar ao normal. A primeira pessoa a ficar cega recupera a visão. Todos o felicitam por sua melhora.

O narrador nos instiga a pensar: estariam eles felizes pela volta da visão do amigo? Ou será que a felicidade era em virtude de que o homem havia sido o primeiro a ser infectado pela cegueira branca? E que mais dia menos dia eles também voltariam a enxergar?

A mulher, tão valente e forte durante todo o filme pensa que estava começando a ficar cega. Ensaio sobre a cegueira é um filme tenso. Há muitas cenas fortes que induzem questionamentos. Até onde vamos por nossa sobrevivência? Qual nosso limite moral? E ético?

Muitas vezes os nossos olhos podem ver, mas nós não enxergamos. E outras, somos cegos, mas conseguimos enxergar. Portanto, se você pode ver, veja! Se você pode enxergar, observe.

Muito bom o filme, recomendo. Valeu a pena esperar. Agora, vamos ao livro.

<>
*Este é o último texto de opinião do ano. Portanto, gostaria de desejar um Feliz Natal e um bom início de ano a todos.
Putz! Nem tinha visto. Já ta na hora de ir pra praia. Abraço e até ano que vem.